CLÁUDIO AJUDA-ME

… Entre o amor, a dor e o respeito! (Será preciso mostrar tudo de uma vez?)

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… Tenho sobre o que vou escrever agora um enorme respeito porque o amor, apesar de ser um sentimento único, é vivido por todos de forma diferente. Cada relação é um mundo e esse mundo tem regras próprias. Quando amamos estamos convencidos que o que fazemos é para o bem da pessoa que está ao nosso lado, que é o melhor para os dois, ou apenas que  – de forma egoísta – é bom para nós, porque nos sentimos bem e ponto. Eu era absolutamente fascinado pela figura de George Michael e pelo que ele representava. A sua origem, o  seu talento, o seu lado escuro… um fascínio que se atenuou entretanto, mas com a sua morte voltei a sentir algumas coisas e a ter vontade de saber mais sobre ele… Num documentário sobre a vida de George Michael, que vi ontem na SIC Caras, fiquei a saber duas coisas importantes (que eu não sabia): uma delas é que mantinha com o seu namorado uma relação aberta, explicando que não era isso que o impedia de amar e ser amado. A outra era o facto de ser absolutamente avesso à imprensa. Não gostava. Estava saturado e essa saturação vinha de há muito anos. Por isso faço esta reflexão: o cantor vivia agora um amor sereno com o cabeleireiro Fadi Fawaz (não era o namorado de quem falava na reportagem, mas acredito que a postura fosse a mesma), que terá sido quem o encontrou morto e terá desabafado na sua rede social o seu estado de alma no momento ‘… Encontrei o meu companheiro morto pacificamente na cama logo pela manhã… Nunca deixarei de ter saudades tuas‘. Faço por entender muito bem o que ele quer dizer, respeito que esteja com vontade de mostrar ao mundo a sua dor, mas sabendo ele o que isto se iria reflectir publicamente seria necessário fazê-lo? Será que o namorado, vivendo com ele há cinco anos, não terá percebido que alimentar a imprensa com declarações destas e outras que já deu aos jornais, em nada ajuda coisa nenhuma e acima de tudo não respeita a vontade de Michael? O mesmo penso de todas as pessoas que vieram contar agora o tão generoso que foi George, revelando algumas das acções solidárias e secretas que fez mas ‘nunca se soube porque não queria que se soubesse. Ora, se não queria que se soubesse, não sei se, lá onde está agora, acha graça que se saiba dois dias depois de morrer. Não sei se sou só Eu que acho estes momentos uma maneira meio ‘egoísta’ de manifestar o amor. Não maldosa, mas egoísta, para nos mostrarmos ‘presentes’. Contra mim falo. É isto!

 

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