CLÁUDIO AJUDA-ME

… Aos espectadores do Passadeira (Sobre o ar condicionado)

Por

… Vou falar da reacção que tive em directo no Passadeira Vermelha e que, quando a tive, estava longe de imaginar a avalanche mediática que causaria. Tinha a obrigação de saber, porque trabalho nisto, mas o momento foi infeliz e ultrapassei o limite. Falou-se e comentou-se muito, mas mais importante que isto, pelo menos para mim, porque trabalho para o público e é ele que espera ver um Cláudio a trabalhar de forma plena e divertida quando nos sintoniza, senti que devia explicar a minha reacção por causa do tão falado ar condicionado. O problema devia ser resolvido e falado fora de câmera, como são resolvidos e falados outros assuntos, nunca em directo. Isto é óbvio! Tenho claro na minha consciência profissional que nenhum espectador tem de ouvir os meus desabafos desta natureza e muito menos naqueles modos. Isso é claro para mim! Na altura relativizei as reações, mas depois de ver o vídeo senti a vontade imensa de pedir desculpa aos espectadores do Passadeira Vermelha, que não merecem ver aquilo e não têm nada a ver com o meu estado de saúde. Eu estou ali para trabalhar! Como disse, querem um programa divertido, alegre e opinativo. Eu estou ali para isso, por essa razão cumpre-me desculpar se eventualmente algum espectador se sentiu melindrado com a minha reacção. Mesmo! As razões de a ter tido prendem-se acima de tudo com um estado de pouca paciência minha e muitas dores. Há mais ou menos um mês lesionei a cervical, o que me causa dores muito fortes, eu lido mal com isso, fico sem paciência – eu já não tenho muita – e se a isso acrescentar cansaço, dores, a dúvida do diagnóstico e do que vem a seguir, rebento facilmente. O facto é que naquele dia o ar condicionado estava desligado. Erro humano, que pode acontecer a qualquer pessoa e em qualquer lugar, mas que me estava a prejudicar. Ligou-se depois e a diferença de temperatura brusca levou-me a pensar que eu pioraria as fortes dores que tenho. Passei de muito calor para muito frio. Se a isto eu juntar a descontração com que faço o Passadeira, na informalidade que ele pede, tive no momento a reacção que teria em casa, entre amigos. Foi isto! Quem vê sabe que não foi a primeira vez que saí do tom. Eu também sou aquilo, mas basta-me saber que um espectador ficou melindrado com a minha atitude para eu sentir necessidade de a justificar e me desculpar. Eu trabalho para o espectador. É por ele que faço o programa e é para ele que o faço com empenho e dedicação para que o serão de cada uma seja mais leve e animado. Por isso, com a mesma força que gritei sobre o ar condicionado, grito para pedir desculpas. Como se faz entre amigos. Sem nenhum problema porque é preciso saber reconhecer um erro. Eu errei. Desculpem! 😉

 

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