CLÁUDIO AJUDA-ME

… A capacidade de ir e vir (indo e vindo)

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… Viajar sozinho pode para muitos não ser um sonho. Mas é uma alternativa. Não é fácil levantar voo, ir e vir. Digo literalmente, e não me refiro ao levantar do avião. Levantar voo emocional e despegado é mais complicado, mas aprende-se e com o tempo aprecia-se. É a descoberta de novos lugares muitas vezes nos mesmos lugares. É tentar perceber pelos olhos de quem se cruza connosco na rua a indiferença sobre o que somos, fazemos, vestimos. As pessoas que noutro lugar do mundo, além da nossa rua, se cruzam com os nossos olhos não os conhecem de lado algum, não os julgam. Viajar sozinho tem isto de bom. Tem outras coisas. Boas e más e umas não anulam as outras. Eu gosto de o fazer. Também gosto de o fazer acompanhado. Não sei o que prefiro porque acho que dependo muito do momento e da viagem. Não tenho que escolher nem preferir. Outra coisa boa é o facto de estarmos mais atentos a tudo. Em constante estado alerta. Uma espécie de defesa, o que nos obriga a descobrir mais e melhor. Mais a fundo! Acordar quando se quer, ir onde se quer sem esperar a aprovação de outro faz-me algum sentido. Aos poucos torno-me ainda mais egoísta nessas coisas. Não tenho muita paciência para o impasse da decisão de ir aqui ou ali e detesto a ideia de ir a qualquer lugar só para picar o ponto porque toda a gente vai. Não é fácil nem maravilhoso agarrar num avião e sair da zona de conforto. Há uma espécie de estigma com quem o faz. Como se estivesse escrito na cara do viajante isolado a palavra ‘solidão’. Quando se diz a alguém que se vai viajar a pergunta não é ‘para onde?’, mas sim ‘com quem ?’. Não digo que essa história da ‘solidão’ seja mentira, mas não é uma verdade absoluta. Não há verdades absolutas. Um dia conto-vos o difícil que é contrariar uma verdade e uma vontade…

Ps. A única coisa com a qual ainda não lido de frente é com os restaurantes. Não sou capaz de me sentar sozinho a jantar num restaurante. Um dia serei!


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