CLÁUDIO AJUDA-ME

… Cristina e Rita, só temos que vos agradecer.

Por
… É disto que eu gosto. De me surpreender. A entrevista mais falada dos últimos tempos é a de Rita Pereira dada a Cristina Ferreira. As fotografias estão excelentes mas não foi nisso que me foquei depois de ter ‘avaliado ‘ a capa. Foi na conversa que me fiquei. Que conversa! Cristina leva a conversa, que segundo ela não foi preparada, ao ritmo das emoções. Rita deixa-se levar ao mesmo ritmo. Estou a ler e estou a ouvir cada uma das perguntas, cada uma das respostas e o tom delas. É difícil ter ali uma pessoa em quem se confia e não responder a verdade quando se sabe que a verdade será bem tratada. Será tratada com verdade. Sem julgamento. Eu gosto da Cristina. Eu gosto da Rita. Nem sempre gostei da Rita, confesso. Fui muito critico em relação a si, mas quando comecei a sentir na pele alguns dos mesmos males resolvi obrigar-me a perceber. Depois de a conhecer, de falar com ela percebi logo que não era nem metade daquilo que a imagem pública e uns quantos queriam pintar. Não somos amigos. Mas nunca me falhou de todas as vezes que profissionalmente precisei dela. Confiou sempre em mim, e eu aposto que nunca a defraudei. Há coisas que se sabem e não se contam. O que Rita contou a Cristina Ferreira, não nego que gostaria que me tivesse contado a mim, mas tenho a noção de tempo e espaço e sei perfeitamente que a conversa teria que ser assim como foi. Entre mulheres que confiam uma na outra. Chorei. Choro por amor. Choro sempre. Chorei emocionado com várias coisas. A primeira por perceber que há uma revista com espaço, emoção  e tempo que consegue mostrar isto e que nos permite entrar na intimidade das pessoas no espaço que elas deixam, e como confiam, deixam muito. De todas, não escondo que esta foi a melhor entrevista de todas as ‘Cristina’ e talvez pelo tema, a que mais queria ler. Emocionei-me com a verdade da Rita. Como conseguiu ela sobreviver? Claro que conseguiria. Mas a dor de se perder um amor é igual a arrancarem-nos um bocado ao coração que fica ali sem cicatrizar muito tempo. Não mentiu em nada. Revelou que ela e Angélico se tinham aproximado muito pouco tempo antes do acidente. Eu acredito. Na altura era isso que se falava. Foi o amor da sua vida. O grande amor. Rita diz que em duas horas cresceu dez anos. Entendo-a tão bem. As marcas deixadas pela perda são irreparáveis. Talvez o tempo um dia cure, eu acho que não, a Rita também desconfia que apenas ficam as saudades atenuadas. Que bom que foi ler esta entrevista nesta altura. Não deve ter sido nada fácil para ela voltar a amar. Voltar a imaginar que poderia ter de voltar a perder. Perder para a morte. Perder por perder. Simplesmente perder. Perder quem se ama é doloroso. As pessoas que nunca passaram por isso não imaginam. É Como se se esfregasse sal grosso numa ferida em carne viva. Mas sem a possibilidade de deitar água nem soprar. Rita estará mais leve depois desta conversa. Aposto que sim. O coração abriu-se. Era a entrevista que todos queríamos ter feito, que se aguardava e que será avaliada ao detalhe por especialistas na matéria que dirão de sua justiça, sendo que a maior injustiça sofreu-a Rita que ficou, como diz, sem o seu grande amigo. Quando o amor é também um amigo é muito mais difícil. Imagine que tem duas feridas em carne viva, lhes deita o tal sal grosso e fica ali a esfregar e em vez de água tem álcool ali à mão. Quando nos morre um amor e uma amizade verdadeira morremos com ele. Não duvido disso. Que bom que a Rita renasceu, que aguentou. É Forte. Não sei se conseguiria fazer o mesmo. Obrigado Rita pela verdade. Obrigado Cristina pelo coração aconchegado, e também sofrido – como revelas na conversa-  que abrigou de forma cautelosa os desabafos de uma Rita sem ser cobrada nem julgada. Amei. Chorei e fiquei a gostar ainda mais das duas. Por razões diferentes. Mas sabem que sim. E depois disto fico a pensar na pergunta que tantas vezes Rita fez a Angélico depois de morto ‘E porquê?’. E se tudo não mudaria se ambos se tivessem questionado antes. Não sei. Tenho sempre medo de me arrepender de não ter feito alguma coisa. Ou não fazer o suficiente por essa coisa. Não só por isto, mas também, Cristina e Rita, só temos que vos agradecer.