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… Feliz dia dos namorados (Mas o que é o amor?)

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… Estou desconfiado de que o amor é uma coisa estranha. É estar incondicionalmente ao lado. É estar, mesmo sabendo que o melhor era não estar ou que o outro não está. Mas o amor é assim. Teimoso, crédulo e unilateral. Sim é capaz de ser unilateral se for de verdade. O amor faz coisas que o desamor atenua. Gosto de um amor que me faça sentir em casa. O amor mais não é do que ‘sentir-se em casa’ sem cerimónia. É perceber que o silêncio não atrapalha, que a descoberta de uma rua feita a quatro pés é estimulante, que conhecer um lugar, um País, descobrir uma aventura nos enche as medidas. Amar é estar ao lado, medir a febre, humedecer os lábios, amparar, sonhar juntos, realizar sonhos, levar a colher à boca, aconchegar a roupa da cama, ter ciúmes, gritar, brigar, dizer coisas da boca para fora com a mesma boca que engole de repente tudo o que disse para sorver um beijo e sentir a saliva quente a saber ao outro. Amar é perceber o que precisa o outro. O que sonha o outro. O que quer o outro. Amar é entender um estado de alma. É dar a entender um estado de alma. É fazer uma mala juntos e brigar porque não cabe tudo lá dentro. É desfazer a mala e voltar a fazê-la e as coisas continuam a não caber, mas o amor é maior que a mala e tudo o que ela tem dentro. Voltamos a brigar, a desfazer e fazer a mala todas as vezes que forem precisas. O amor é isto. Na prática não tem regras. Na teoria tem muitas. Eu sei a teoria toda, mas amo na prática. Sei a teoria de trás para a frente e sei que não sou uma pessoa fácil de amar nem de ser amada. Mas quando amo, amo como seguramente poucos amam. Porque quem é amado por mim leva para a eternidade a certeza de um amor transparente, avassalador, alucinantemente verdadeiro e de entrega exclusiva. Um amor verdadeiro como nas histórias em que quase já ninguém acredita e que voltei a ver reflectida no filme ‘As estrelas não morrem em Liverpool’. Eu amo assim. Não amo por amar e não gasto energias se não valer a pena. O amor tem que valer a pena. Mesmo que faça doer. Se não doer, não é amor, se não tiver expectativas dentro dele não é amor, se não se perspectivar não é amor, se não fizer o coração bater mais rápido quando o outro começa a subir as escadas não é amor, se não nos suarem as mãos quando as dele nos tocam o pescoço não é amor, se não te trouxer a serenidade enquanto descansas a cabeça no seu colo não é amor, se não te sentes no céu quando um corpo invade o outro não é amor … é outra coisa qualquer. O amor é descalçar as nossas botas, se preciso for, para calçar as do outro, ajudá-lo a fazer o caminho e perceber que, de tão delicado que é, o amor está à semelhança de um pássaro pousado na nossa mão. Um pequeno gesto pode fazê-lo voar a qualquer momento. Também é amor deixar o amor voar.

14 de Fevereiro de 2018

 

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