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… O meu respirar é televisão (Parabéns SIC!)

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… Para mim, televisão é alma, vida, comunicação, entretenimento, informação. É por isso que a faço. Muito além da notoriedade ou do dinheiro que se ganha com ela e por se trabalhar nela. Eu sou um apaixonado pelo mistério da caixa mágica, que tem que se saber reinventar a cada década. A que se avizinha não será fácil para Ela (televisão), porque tem hoje muita concorrência e a vida nada facilitada, mas, da mesma maneira que o teatro não acabou com o cinema e a rádio não acabou com a chegada da televisão, estou convencido que existirá sempre um lugar para Ela como a entendemos hoje. Divertida e a chegar a toda a gente. É disto que não nos podemos esquecer: que a televisão é uma coisa de todos feita para todos. Não é um nicho para agradar a meia dúzia ou só a alguns. Por fazer televisão, por gostar de estar dentro dela, mas acima de tudo porque gosto de a ver, sinto um orgulho imenso em celebrar estes 25 anos da SIC. Estreei-me na casa há 18 anos. Fiz tanto do que sonhava fazer e falta-me tanto do muito que ainda sonho. Só assim entendo as coisas. Os nervos antes de se ligar a luz encarnada, o som do bater do coração que se consegue ouvir num microfone mais atento, a câmera que será os olhos da pessoa a quem vou chegar. Televisão é isto! É a pessoa do outro lado. Eu nunca quis fazer outra coisa na vida, nunca quis ser outra coisa na vida que não fosse apresentador. Em pequeno brincava a apresentar festivais da canção, imitava locutoras de continuidade, fazia espectáculos onde criava os participantes para os poder apresentar. Eu não respiro outra coisa. Sei fazer outras coisas, que a vida ensina-nos a aprender. Mas o que faço melhor é isto. Olhar nos olhos de quem está por trás da caixa, cada vez menos caixa como a entendíamos, como a conhecemos, e imaginar que a pessoa me escuta atentamente. Que se vai rir comigo, que a vou emocionar, que lhe vou despertar um qualquer sentimento que valerá a pena. Eu sou muito feliz a fazer televisão. Nem tudo é fácil, nem todos os dias são de risos ou vitórias. Bati muitas vezes a portas que não abriram, tive muitas reuniões que não resultaram. Fiz muitas vezes o caminho de volta a casa depois de sair do estúdio a chorar no carro por não conseguir fazer o que queria. Subi muitas vezes a escada para casa com a sensação de frustração imensa. Adormeci a planear conteúdos, palavras, histórias… O esforço tem de ser grande. Para captar a atenção do outro lado é preciso uma reinvenção constante e no dia que isso não acontecer vale mais desistir. Hoje, o alinhamento reservou-me apresentar parte do especial 25 anos ao lado da Bárbara Guimarães. A Praça do Município cheia, o barulho característico de um directo desta natureza e a confusão de bastidores foi-se esvaindo. Momentos antes de entrar, sinto sempre um frio na barriga. Um nervoso e alguma coisa a dizer-me para seguir. No dia em que não sentir este frio na barriga perdi a paixão que tenho pelo televisão. No dia em que não ficar nervoso perdi o respeito pelo público. Entro, não vejo nada a não ser a câmera e do outro lado as muitas pessoas que me acompanham há tanto tempo e que são fieis à SIC há 25 anos. As pessoas que não estão na Praça do Município, que não estão em Lisboa. As pessoas que estão fora desta realidade citadina, e que vivem só connosco. Somos a companhia delas. É nelas que penso, por isso, tenho um respeito tão grande pelo daytime, onde os programas se destinam a uma franja que depende de nós para sentir o pulso ao dia, e quanto mais formos o pulso delas, mais respiram. Quanto mais elas nos respirarem, mais vida a televisão tem. A SIC está de parabéns por estes 25 anos. Digam o que disserem, sem ela Portugal não chegava ao mundo com os olhos da realidade, com as cores tão nítidas e com a verdade estampada no ecrã. Digam o que disserem sem ela eu não teria realizado tantos dos meus sonhos e conhecido tanta gente que faz parte da minha vida. Obrigado! Valeu a pena. Valerá sempre a pena acreditar que o melhor ainda está para ver!

 

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