… Cá estou Eu! (Crónica de uma intervenção anunciada)

Por

… Achamos que mandamos e que a máquina não dá parte fraca. Achamos erradamente. Mesmo que se disfarce, um dia o coração começa a bater no peito como se quisesse saltar dali para fora. Uma espécie de murros numa porta que está fechada e se quer arrombar. Derrubou-me! Mas desta vez derrubou-me com o meu consentimento, que já tinha data e hora marcada para me levar outra vez ali. A ida é fácil, difícil é transformar-me na pessoa frágil que sou quando não dependo ‘apenas’ de mim … Batas brancas, exames, cheiro a hospital, tubos, o pingar do soro lento, uma sala muito fria cheia de ecrãs à minha frente e vozes. Muitas vozes e muita gente. É o que me lembro de ver e escutar até voltar a adormecer com a máscara de oxigénio. Na quarta feira de manhã, horas antes da máscara de oxigénio me dar a sensação de tranquilidade, voltei a estar frente a frente com o medo e a coragem para resolver de vez o meu problema. Pode ser que tenha sido desta. Vamos esperar que sim! Há que tentar. Não há nada a fazer se não se tentar tudo, não posso ficar de braços cruzados com a sensação de derrota porque nunca se consegue chegar a bom porto… Eu sou teimoso. Tenho um coração teimoso. Teimoso, mas é um coração que está cheio de razões para reclamar de tudo e mais alguma coisa, mas também tem tantas alegrias vividas e para viver. Um dia vai descobrir-se a razão de um coração descompassar tão violentamente. Desta vez as espátulas de metal que já me tinham tantas vezes deixado marca registada no peito, deram lugar a buracos e pequenos tubinhos que entraram e foram subindo como se ‘isto’ fosse tudo deles. Fizeram o que entenderam durante quase quatro horas. Por isso tenho a sensação de estar queimado e arranhado por dentro. O médico diz que é normal e tudo ficará no devido lugar com o tempo. O tempo sabe o que faz! Eu acho que na correria do dia a dia nos esquecemos muito de dar tempo ao tempo. Eu tenho aprendido neste último ano a relativizar as coisas, a tentar estar em paz e feliz com o que tenho e vou conquistando. Acho que tenho conseguido! Uns dias mais que outros, mas tenho conseguido. Se me perguntarem se tive medo, digo já que sim. Se dissesse que não senti medo estava a mentir. E se é para contar que se diga a verdade. Senti medo. Muito e durante muito tempo. Disfarço o medo com uma maneira meio esquizofrénica de ser. Não gosto de contar, de ver gente por perto, de perceber que estou a tirar pessoas das suas rotinas por minha causa. Mas senti medo. Nervoso e medo. Apoiado por todos os lados, mas a cambalear por dentro. Passou. Já está! Agora é seguir em frente. Descansar, obedecer a tudo o que veio escrito na folha de indicações e agradecer: Grandes médicos e enfermeiros temos em Portugal (não senti a greve)! Mais uma vez agradeço o maravilhoso atendimento no hospital Santa Cruz de Carnaxide e à equipa do Professor Pedro Aragão, ao Dr. Pedro Carmo e ao Dr. Nicodemus Lopes. Obrigado! E obrigado a todas as equipas onde trabalho e aos meus diretores que me colocaram à vontade para descansar o tempo que os médico acham conveniente. E obrigado a vocês, que me acompanham (às vezes nem sei bem porquê), e se preocuparam, perguntaram, comentaram, rezaram, estiveram aí, para uma pessoa, que muitos conhecem apenas ao longe. Obrigado! De coração…

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