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	<title>Domindo de Páscoa &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>&#8230; Sobre ontem. Com mundo virado do avesso!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2020 08:54:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Voltei à televisão dois meses depois de ter saído. Voltei com a missão solidária da TVI, FPF e Continente sob o mote &#8216;Nunca Desistir&#8217;. Ontem, quando cheguei a casa não consegui fazer mais nada. Não consegui responder a todas as pessoas que me enviaram mensagens e comentários, que manifestaram a opinião. Agradeço a todas e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Voltei à televisão dois meses depois de ter saído. Voltei com a missão solidária da TVI, FPF e Continente sob o mote &#8216;Nunca Desistir&#8217;. Ontem, quando cheguei a casa não consegui fazer mais nada. Não consegui responder a todas as pessoas que me enviaram mensagens e comentários, que manifestaram a opinião. Agradeço a todas e cada uma delas. A todas queria dizer que para mim, fazer televisão seja em que espaço for com quem for e sobre que pretexto for é uma honra. A televisão é uma coisa séria, mesmo que se brinque dentro dela. Tenho na televisão a magia de quem sonha. Mais agora, quando o mundo está virado do avesso e precisamos de calor vindo de dentro. Estive entregue como sempre estou, com o nervoso da responsabilidade que é inerente à profissão e distraído como sou por natureza e por isso ao longo da emissão disse várias vezes SIC em vez de TVI. Não tombou o Carmo nem a trindade por fazê-lo o meu director, que estava à minha frente entendeu e sorriu cúmplice,  assim como os espectadores &#8211; Estive 18 anos a dizê-lo e é natural que aconteça &#8211; Ontem mais natural ainda, porque a emissão de ontem era uma emissão do País. Não de uma estação apenas, nem de uma região. Era a emissão que saía dos estúdios da TVI para o mundo. Estamos todos no mesmo barco a remar para que chegue a bom porto, não importa onde estamos. Importa para onde vamos depois disto. Lembro-me quando comecei a trabalhar com a Cristina, várias vezes lhe chamei Júlia e foi uma sorte ontem não ter chamado à Fátima, Cristina. Eu sou por natureza uma pessoa distraída, acho que isso ficou muito evidente nos últimos tempos e ainda que mudem registos e formatos a essência de um comunicador de verdade não se esconde e só passa verdade para casa se ele não se esconder. Eu não me escondo. Socorro-me de &#8216;muletas&#8217; que me ajudem mas não me escondo, nem nas distrações nem na responsabilidade. Ontem o foco era passar ao País que, uma Missão que começou por ser TVI, Continente e FPF rapidamente se tornou numa Missão Nacional com tanta gente a aderir, incluindo caras de outras estações. Quisemos transformar a Páscoa das pessoas mais bonita, solidária e próxima. Quisemos aplicar o verdadeiro sentido de Páscoa que mais não é que renascimento. É o que queremos, é o que nos vai acontecer a todos. Isso conseguiu-se. Isso é bonito. Foi um dia de emoções misturadas. Chorei assim que entrei no carro de volta a casa. Chorei quando cheguei a casa, porque sou assim também. Tenho tanto de forte como de frágil. São muitas coisas misturadas numa pessoa em poucos dias. Mas a vida é assim, estamos todos mais frágeis com o que está a acontecer, e percebi quão importante é estar na linha da frente. Percebi, mais ainda que a televisão que se faz hoje não é  televisão que deixei há dois meses. É uma televisão mais vazia de gente, sem o calor do público presente, sem o afecto do toque  e apenas com a conversa dos olhos por trás de uma mascara. Isso derrubou-me. Talvez por estar há tanto tempo em casa sem ir a estúdio o choque foi maior, porque parece que de repente, a pandemia nos roubou também o lado humano por trás das cameras. Não abracei a Fátima com quem voltei a trabalhar quinze anos depois e me recebeu de braços abertos, não abracei a alegria da Fernanda, não agradeci ao Texeira com um abraço apertado  a surpresa boa que tem sido nesta mudança, não abracei a minha Maria que estaria a estrear-se com igual responsabilidade e precisaria de um abraço como precisei eu, não abracei o Manel nem lhe disse ao ouvido &#8216;finalmente divididimos estúdio&#8217;&#8230; Falámos todos à distância, sem dizermos nada uns aos outros&#8230; Não abracei a equipa que se foi apresentando aos poucos, atentos, dedicados, com olhos brilhantes e caras tapadas por mascaras que são a defesa. É a prova real do que tantos profissionais de televisão estão a fazer nestes dias para que em casa de cada um exista companhia. Esta é a televisão que temos, feita também ela por heróis. Pequenos soldados do audiovisual que escondidos marcham para que a emissão se cumpra. É emocionante ver. É arrepiante o silêncio e eu, depois de chegar a casa, trocar mensagens com meia dúzia de amigos, tombei. A realidade é lixada&#8230; Mas é a realidade que temos e é com ela que temos de lidar, é esta realidade que temos de fintar. E vamos fintando. O Big Brother foi adiado por conta da Pandemia, eu estava fechado em casa há mais de trinas dias e sai ontem, sob fortes medidas de segurança para ir a Queluz pela primeira vez estrear-me na antena da TVI numa Missão nobre. É isto que importa. O Universo sabe o que faz e o resultado total da emissão com o valor acumulado da generosidade de todos é o que tem de ficar na memória. É ele que nos dá a sensação de dever cumprido e absoluta gratidão pelos espectadores, que, estejamos nós em que antena estivermos, reconhecem o trabalho e acompanham, opinam, criticam, aplaudem&#8230; Na prática são eles que mandam em nós e é para eles que trabalhamos. Quando cheguei a casa chorei. Chorei, porque percebi no terreno que o mundo, nunca mais será o mesmo. Não se iludam. E isso é difícil de engolir.</p>
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