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	<title>emoção &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>&#8230; A propósito!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 15:48:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Quando era criança, nunca ninguém me explicou que o mundo não seria almofadado. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e, aos encontrões, perce- bemos que o que deixa de nos fazer crianças não é o calendário. É a força com que a vida se agarra [&#8230;]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">&#8230; Quando era criança, nunca ninguém me explicou que o mundo não seria almofadado. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e, aos encontrões, perce- bemos que o que deixa de nos fazer crianças não é o calendário. É a força com que a vida se agarra a nós e decide fazer o que quer. Imaginem um boneco de trapos nas mãos, que o sacodem de um lado para o outro sem dó nem piedade&#8230; É isto que a vida nos faz. Não há tempo para nos explicarem que é demasiado cruel deixar de ser criança quando não nos tornam o cami- nho mais fácil. Devíamos ser crianças muito tempo. Talvez sempre. A idade da inocência é a mais feliz, mesmo quando achamos que pode não ser. Acre- ditamos mais, logo, somos mais felizes. Sabemos menos, logo, somos mais felizes. Eu defendo que os ignorantes são mais felizes. Somos sempre mais felizes quando ainda acreditamos em alguém ou alguma coisa. Em criança, nunca me avisaram que um dia ia deixar de acreditar. Não se pode cortar assim, a meio, aquilo que pensamos do mundo. Nem me disseram isso nem me explicaram que ia aparecer gente que me maltrataria, que iriam aparecer situações com as quais não conseguiria lidar, que ia ter contas para pagar, agenda para cumprir, ou que, quando crescesse, iria ter de construir uma máscara para enfrentar a idade adulta com a mesma verdade com que a ima- ginava em criança. Ainda assim, não me zanguei com a vida nem tenho sau- dades de ser criança. A vida é demasiado feroz para me zangar com ela. Iria perder a batalha. Tenho a certeza. Em criança não sei, mas sei que, quando crescemos, pagamos uma fatura muito alta assim que trocamos as voltas daquilo que a vida tem para nós. Nem é uma coisa de destino, é uma coisa mais forte que nos custa pagar. Custa muito. Há uns que não a pagam, são caloteiros, há outros que pagam a fatura com juros, porque são de fiar. Quem confia sofre mais, paga mais&#8230; Talvez seja mais feliz por ter as contas em dia. Um dia, havemos de saber isso, hoje fechamos os olhos e imaginamos que temos almofadas com cores, balões cheios de ar, desenhos animados na televisão, barulho de crianças na rua, calças rasgadas, joelhos esfolados, boca suja de chocolate&#8230; depois abrimos os olhos, e logo se vê.</p>
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		<title>&#8230; Ribeira de Baixo, com a tristeza a escorrer-lhes no corpo!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2019 20:35:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Para quem está em Lisboa, Ribeira de Baixo fica quase a quatro horas de caminho. Para quem está na minha terra, Ribeira de Baixo fica quase a cinco horas de distância. Eu faço sempre, a cada dia que passa quando falo com a gente da minha terra a distância em tempo. Mais em tempo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Para quem está em Lisboa, Ribeira de Baixo fica quase a quatro horas de caminho. Para quem está na minha terra, Ribeira de Baixo fica quase a cinco horas de distância. Eu faço sempre, a cada dia que passa quando falo com a gente da minha terra a distância em tempo. Mais em tempo que em quilómetros. Parece que fica mais perto. Menos longe. Mais quente. Há alturas em que estou (no máximo) três semanas sem ir à minha terra, sem pisar as minhas pedras como já aqui vos contei, sem ver a minha gente na terra da minha gente. E quando passa esse tempo sinto uma ansiedade que se explica por saudade ou apenas falta, ainda não se descobriu. Sinto falta. Dos meus, seguramente, mas os meus podem vir aqui. Posso falar com eles. Podemos encontrar uns e outros a meio do caminho ou em outro caminho qualquer se for caso disso. Eu sinto muita falta da minha terra. Da minha casa. Da minha gente sentada na porta de casa, encostada ao parapeito da janela ou assomada ao postigo. Eu sinto falta do barulho baixinho que se faz nas ruas e do tempo vagaroso que quase não passa por elas. Eu sou assim. Não sei se sou diferente. Eu fui sempre assim. Eu sou muito ligado à terra porque sempre tive claro que sou o que sou porque percebi cedo que nunca poderia virar as costas nem à terra nem ao que ela me ensina. Quando vou no caminho, ganho-lhe o sotaque, o peito fica mais leve, respiro melhor e entra uma paz tranquila que me alegra. Eu gosto da minha terra. E gostaria de outra terra qualquer, de um lugar que fosse, sempre que esse lugar fosse o lugar que me viu crescer e testemunhou tudo a meu respeito. Tudo. Ontem, quando dei de caras com a reportagem que se fez n&#8217;O Programa da Cristina&#8217; sobre a barragem de Daivões e a gente que a barragem vai empurrar para fora da sua terra, fiquei triste. Durante aqueles largos minutos vi-me no espelho de pessoas que, mais crescidas que eu, cheias de passado ao lado, tinham o progresso a castrar-lhes tudo. A Barragem vai chegar e inundar tudo. Não são só tijolos, hortas, ruas, escola, igreja, café, talho, mercearia, praça&#8230; é tudo. Vão olhar para lá e vão ver água. Aquelas pessoas que lá estão, vão deixar de ver a memória, não nos podemos esquecer que muitas vezes nem a memória conseguimos guardar. Há alturas que é preciso vê-la. Aquelas pessoas vão deixar de andar nas ruas, de estar na porta, de se encostarem à janela, de se assomarem ao postigo. Pelo menos naquele postigo e esse postigo é que é importante, porque foi dali que viram a vida acontecer. Foi naquelas ruas que eles brincaram, que os filhos andaram, que os netos caíram. Foi da janela da casa que viram os filhos partir para fora e é à entrada da porta que os veem chegar de férias. Eu não sei como lidaria com o progresso a arrastar-me para fora de mim. Não sei mesmo. Juro que não sei. Falar de fora é fácil, criticar é ainda mais fácil. Ali o que vi foi a minha gente. A gente da minha terra a ficar sem ela. Quando na reportagem a senhora diz emocionada que a Figueira não lhe vai voltar a fazer sombra e se abraça a ela, foi como se me dessem um murro no estômago. Eu no seu lugar iria sentir-me impotente e com o peito a rasgar. O que senti ali foi isso. Foi transportar-me para o peito dela. Do marido que a consolava desconsolado e de olhos vazios que não o deixavam chorar ao mesmo tempo, pelo amparo e pela vergonha. Fiquei revoltado, porque vi um casal da idade da minha mãe dizer firmemente que vai abandonar o País, porque o País os está a mandar embora de casa sem a possibilidade de guardar, em lado nenhum o melhor que se pode ter: a memória. Não sei como lidaria com isso. Juro que não sei. Não queria lidar. Hoje, falei com uma colega minha, a Mafalda, ela está ali na secretária ao lado, disse-me que não tinha terra nem lugar. Eu acho que ela não consegue entender, o que é &#8216;ir à terra&#8217;, deixar a terra, ver a gente da terra sair e voltar. Ver as pessoas ficarem porque gostam, porque não podem sair, porque envelhecem ano seguido de ano sentadas todas as tardes, as tardes todas no mesmo banco na praça onde está o café central. Eu não gostava que me roubassem as pedras da rua mesmo que já esteja alcatroada. Lá por baixo estão as pedras e nas pedras estão as pegadas das pessoas que vão fazendo a nossa vida. Quando o progresso inundar com um cobertor de água o berço onde cresceram e se fizeram gente não se lhes vão ver as lágrimas. Não se vão ver porque se confundem com a água que lhes rouba tudo ou porque já secaram por dentro de tanto as verterem na esperança que alguém as escute escorregar. Eu não sei se para a minha colega Mafalda, que vive num grande centro urbano, a reportagem teve o impacto que teve em mim, ou talvez até nem tenha em pessoas que vivem em terras como a minha. Mas pouco importa. Posso ser só eu. Pode ser só uma pessoa a viver naquela terra naquele lugar&#8230; é dela. É dessa pessoa, não se pode dizer adeus a tudo a troco de uma casa nova, ou de uma quantia qualquer que alguém decide ser justa para apagar o que escrevemos. Seja ela qual for. Não paga a dor que fica quando não se pode voltar ao lugar que nos amarrou a vida toda. Onde vimos crescer e morrer. Pode ser uma parvoíce minha. Mas não queria nunca que isso me acontecesse. Não queria que isto acontecesse a ninguém. Com a água, naquela barragem serão afogadas à força as imagens do passado daquela gente. Assassinadas portanto. Não gosto disso e quando virem a reportagem &#8211;<a href="https://sic.pt/Programas/o-programa-da-cristina/videos/2019-12-09-Familias-de-Ribeira-de-Baixo-despedem-se-das-suas-casas-que-vao-ficar-submersas-E-o-ultimo-natal-que-vou-comer-aqui-na-minha-mesa"> se ainda não viram</a> &#8211; só queria que se metessem dentro dos sapatos destas pessoas. De vez em quando não custa. Mesmo que os donos dos sapatos tenham os pés cheios de sangue.</p>
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		<title>&#8230; A avó da Leonor ( Feitas as contas, é o coração a dobrar.)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2019 21:02:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Não tive avós. Quer dizer, ter tive que não sou obra do Espírito Santo, mas não os conheci. Não tenho memória deles. Para mim a figura dos avós teve impacto na vida com o nascimento da Leonor. Verdade! A minha mãe revelou-se numa avó dedicada, babada, orgulhosa, empenhada&#8230; A Leonor foi a sua primeira [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Não tive avós. Quer dizer, ter tive que não sou obra do Espírito Santo, mas não os conheci. Não tenho memória deles. Para mim a figura dos avós teve impacto na vida com o nascimento da Leonor. Verdade! A minha mãe revelou-se numa avó dedicada, babada, orgulhosa, empenhada&#8230; A Leonor foi a sua primeira neta, depois vieram outros netos. Mas a Leonor foi a primeira. Não gostará mais da Leonor do que dos outros netos, claro que não, mas a primeira é a primeira e acompanhou todos os passos dela. Foi absolutamente fundamental no seu crescimento, no seu desenvolvimento e na forma como cresceu a minha filha. Jamais me meti naquilo que a minha mãe fazia com a Leonor quando estava ao seu cuidado. Mesmo que não concordasse, ouvia e calava. Acho que é assim que tem de ser. Se confiava para estar, confiava para educar. Mesmo que se diga que os &#8216;pais educam e os avós deseducam&#8217;. Eu gosto do conceito da frase. Gosto mesmo! Até hoje a minha filha vai dormir a casa da avó aos fins de semana, e até há muito pouco tempo, por ela, dormia lá todos os dias. É o pequeno almoço da avó que sabe melhor que o de todos, são as conversas com a avó que são melhor que todas as outras, a casa da avó é a melhor. Ainda tem o quarto em casa da avó onde, com a prima Carlota e a tia Aurea se perderam em noites inteiras entre palavras, risos e discussões. Sou muito grato pelo papel que a minha mãe, enquanto avó, teve e tem na vida da Leonor. Sou também grato às outras avós, claro. A avó Laurinda à tia &#8216;avó&#8217; Lurdes, a tia &#8216;avó&#8217; Isilda e ao Avô Soares&#8230;. todos juntos e casa um à sua maneira foram criando paredes de almofada que a ajudaram a chegar aqui. Para mim e para mãe da Leonor foi um alívio saber que podíamos e podemos confiar às cegas neles porque nos facilitam bastante tudo o resto e nos tranquilizam caso exista, por este lado, alguma falha. Dizem os mais crescidos que ser avo é ser mãe duas vezes. Não sei se será, mas sei que os olhos da minha mãe enquanto avó para os seus netos &#8211; mesmo perdendo a paciência de vez em quando, porque elas juntas são muitos chatinhas e absorentes &#8211; são os olhos orgulhosos de quem vê cada uma crescer na sua forma, no seu feitio e nos seus feitos. Verá ali traços que lhes passou e pedaços dos filhos que criou. Não tenho dúvidas disso. E ainda bem! Sorte dos nossos filhos que podem crescer com os avós. Hoje é o dia deles. Eu, que não sou de assinalar dias, acho este ternurento e merecido. A minha mãe é uma avó feliz e privilegiada, mas eu sei que muitas não o são. Com este texto sintam-se homenageadas/os por todos os filhos que serão gratos, pelo amor imenso que têm aos nossos filhos, que serão delas pela segunda vez. E para sempre!</p>
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