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	<title>Gonçalo Claro. &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>&#8230; A entrevista (por trás da entrevista)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Sep 2018 20:21:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8230; Quando se aceita dar uma entrevista de vida é obrigação de qualquer pessoa ir para ela sem condições e &#8216;desarmado&#8217;. É desta maneira que vejo a função de quem pergunta e a obrigação de quem responde, que por qualquer que seja a razão foi convidado para o fazer. Foi assim que me sentei frente [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Quando se aceita dar uma entrevista de vida é obrigação de qualquer pessoa ir para ela sem condições e &#8216;desarmado&#8217;. É desta maneira que vejo a função de quem pergunta e a obrigação de quem responde, que por qualquer que seja a razão foi convidado para o fazer. Foi assim que me sentei frente a Cristina Ferreira. Eu frente a ela. Estavam os meus olhos colados aos dela para perceber até onde ia a conversa e por onde ia &#8230; Eu gosto da maneira que ela tem de entrevistar. Já o tinha dito antes publicamente, já lhe tinha dito a ela e sempre achei estranho que estas conversas &#8216;grandes&#8217; que faz não tivessem espaço na antena da TVI de forma regular. Disse-lhe isso algumas vezes e escrevi outras tantas. Quando me convidou aceitei de imediato. Eu sou daqueles que gosta de ser entrevistado quando há uma boa preparação, quanto há uma objectivo de conversa e quando não há um juízo de valor feito mesmo antes de me sentar frente a quem pergunta. Aliás, acho mesmo que a diferença de muitas entrevistas pode estar neste ponto: o perguntar sem avaliar, julgar, ou fazer perguntas convencidos que se conhecem as respostas e na certeza que é só ‘mais uma’ conversa. Esta não foi só &#8216;mais uma&#8217; entrevista para mim. Não foi a primeira vez que me dei a conhecer ao mundo tal como sou em casa e entre os meus. Há três anos, em Dezembro, o Daniel Oliveira convidou-me para o Alta Definição e, aí, muita gente percebeu que não sou ‘apenas‘ o que a televisão mostra. Há, na minha vida mediática, um antes e um depois do Alta Definição, como sinto que existe agora. Recebi na altura aquilo que considerei ser uma ‘avalanche’ de amor, que me chegou de todos os lados e de muitas maneiras. Foi bom. Foi muito bom! Voltemos à CRISTINA, e à entrevista que lhe dei&#8230; Porque é preciso agradecer as muitas manifestações de carinho que recebi de pessoas que ainda hoje não conheciam o Cláudio que sou e tal como ali me mostrei. Eu sei que isso acontece, mas não deixo de me surpreender, porque mesmo que me ache transparente e tão verdadeiro na televisão, há sempre alguém que não capta, que não percebe, que não vê. Muita gente também não quer ver, há que assumir isso&#8230;  A Cristina tirou de mim pedaços que pessoas não conheciam e que, segundo já li, me &#8216;humanizou&#8217;. Talvez por isso já tenha valido a pena. Eu apenas respondi. Apenas falei. Falei ao ritmo do que me ia perguntando. Para mim não é difícil falar. É difícil é fazerem-me falar de coisas que guardo dentro a sete chaves e que não conto, não mostro ou não dou sinais delas, porque muitas vezes é mais fácil vivermos com a imagem que têm nossa do que com a verdade que todos temos&#8230; até um dia. É o risco que se corre de se ser uma pessoa conhecida e aceitar estar exposto com tudo o que está em jogo&#8230; Fizemos antes as fotografias. O Gonçalo Claro foi maravilhoso e de uma generosidade imensa. Eu aprecio muito os profissionais que, além de competentes, são generosos. O Gonçalo captou as minhas melhores fotografias. O meu melhor lado. Não o ângulo. O lado mesmo. Aquele que vai além do que a imagem mostra, mas revela o que ele quer mostrar. Eu só me queria masculino, confiante e actual. Foi o que resultou!  Ao contrário do que se possa imaginar, eu não gosto de ser fotografado. Tenho que ter absoluta confiança para me sentir muito à vontade&#8230; A primeira fase passou-se muito bem, porque a equipa, de mais de dez pessoas, ali à volta se entrelaçavam entre si para que nada falhasse. Só não aqueceram a água da piscina <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f609.png" alt="😉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> &#8230; Despi depois as vestes de cena e, num pólo branco e calças de ganga, sentei-me frente a ela. Não sei o tempo que durou a conversa, nem sei o que lhe disse durante o tempo que durou. Juro! Não me apercebi do tom, nem me lembro de me ter emocionado como revi no vídeo. <em>‘Vai correr bem</em>’ foi o que me disse Cristina antes de começarmos&#8230; e correu. Quando dei a entrevista à Cristina não fazia a mais pequena ideia desta sua mudança profissional. Nem em sonhos isto me passaria pela cabeça! Desde a entrevista feita até à sua publicação passou um tempo. Não contei a ninguém que a dei (a não ser ao Daniel Oliveira, o meu director), não comentei nada. Durante o tempo que passou não lhe falei na entrevista, não lhe perguntei como estava nem o que ia fazer&#8230;  A revista é publicada numa sexta-feira e eu estava em estúdio com a Andreia Rodrigues quando começo a receber uma chuva de manifestações sobre a entrevista. Ainda não a tinha visto. Só a vi por volta das três da tarde dessa sexta-feira. Parei numa estação de serviço a caminho do Alentejo e foi aí que a vi&#8230; Comprei-a, tirei-lhe o plástico e sentei-me no carro a ler. Tive a sensação de primeira vez. A mesma que todos tiveram. Sabia que tinha dito tudo aquilo, mas não me lembrava. Sou de ficar lixado quando faço as coisas mal feitas e vaidoso quanto gosto do que vejo. Fiquei vaidoso. Amei as fotografias (mentiria se dissesse que não olhei logo para elas) e revi-me em cada palavra que ali está escrita. É a minha história. A verdade em carne viva, como será a de muita gente. Muita gente terá histórias parecidas e não tem a oportunidade de as contar ao mundo&#8230; Eu tive. Tenho um orgulho imenso de receber, depois da entrevista publicada, manifestações de mães que aceitam falar com os maridos sobre a condição sexual do filhos só porque me leram. De rapazes e raparigas &#8216;orgulhosos&#8217;, a agradecerem a forma como se tratou determinado tema, de técnicos de mediação familiar a pedir-me depoimentos sobre o que ali contei, de psicólogos a elogiar a forma como expliquei o que me foi acontecendo&#8230; São apenas exemplos que deixo para ficarmos com a certeza que um trabalho bem feito é transversal. Chega a todo lado. Claro que daqui a semanas está outra revista na banca e o assunto será outro. Claro que a minha história ficará escondida numa prateleira lá de casa, dentro de uma caixa ou talvez nunca se volte a ler depois de lida. Não sabemos. O que sabemos é que está aí a história contada na primeira pessoa, escrita pelo punho da Cristina, dita pela minha boca. Esta é a verdade. Cada um fará a leitura dela que entender, o que eu gostava muito que entendessem é que o Cláudio de voz estridente, com maneirismos, o exagerado, que não domina o inglês, que usa roupa colorida, que insiste em cantar, que, entre outras coisas, acorda todos os dias para entreter na televisão porque é essa a sua função no mundo, é também o que está na Cristina. O homem que bateu com a cabeça na parede, o profissional inquieto, o pai preocupado&#8230;. Eu sou a mistura dos dois. E eu gosto dos dois. Se não ficar mais nada, que fique a certeza de que somos sempre muito mais do que querem ver de nós. Basta que exista a generosidade de perceber isso. E a vontade de o fazer. Obrigado a todos pelo carinho! Obrigado <a href="http://revistacristina.com/claudio-ramos-a-minha-filha-e-a-melhor-coisa-do-mundo/">Cristina</a>.  Do &#8216;homem leal e grato&#8217;. Sempre.</p>
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<p><span style="font-size: 8pt;"><em>foto: Revista Cristina</em></span></p>
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