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	<title>memória &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>… Sabíamos lá nós!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 19:32:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[… Sabia lá eu o que me vinha aí quando a peguei nos braços pela primeira vez. Esta imagem é o primeiro dia da Leonor em casa no Alentejo. Já era um amor grande. Três dias antes tinha-lhe dado o primeiro banho assim que nasceu. Saberia lá eu, tudo o que vinha com Ela. Não [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">… Sabia lá eu o que me vinha aí quando a peguei nos braços pela primeira vez. Esta imagem é o primeiro dia da Leonor em casa no Alentejo. Já era um amor grande. Três dias antes tinha-lhe dado o primeiro banho assim que nasceu. Saberia lá eu, tudo o que vinha com Ela. Não imaginamos nunca que amor é este, que força é esta que temos dentro que nos leva por aí fora para que olhem para nós como exemplo, com orgulho, com a certeza de que estamos ali<span lang="pt-BR">… Não sei se existirá entre os pais, satisfação maior do que ver os nossos filhos crescer na direção que acreditamos ser a acertada. Penso muito na tal história das “decisões acertadas”. Quem somos nós para achar que o melhor para eles é uma coisa, outra, isto ou aquilo? Os filhos não são nossos, são do mundo, não é? Mas o que gosto de perceber, naquilo que é a minha experiência, é que a minha filha percebe bem aquilo que quer, o que deseja, que tem os objetivos definidos e é demasiado certa de muitas coisas, que mesmo que eu tente explicar que não existem certezas absolutas, só a vida se encarregará de lhe desenhar melhor este exercício. Fará um desenho e eu, se puder, cá estarei para ajudar a corrigir, a apagar a desenhar de novo… O que percebo na Leonor é a enorme lucidez no discurso e a grande generosidade no seu dia a dia. Nas conversas que temos, percebo que me quer fazer entender que este momento é dela e dos seus amigos, do mundo que criam uns com os outros. Já fui adolescente, tenho irmãos mais novos e sei que esta fase é muito importante para ela e para todos da sua idade. É importante que ela viva o que eu, por circunstâncias da vida ou da época não pude viver, mas que gostaria de ter vivido. Amigos meus viveram! É preciso deixar os filhos serem adolescentes. Não há pressa no seu crescimento. Uma coisa de cada vez, porque só assim se completam etapas. Claro que temos de estar alerta e atentos, o mundo não acaba ao alcance dos nossos olhos, mas dá muita segurança perceber numa conversa que os nossos filhos percebem o que estão a fazer e entendem o caminho… Não me aborrece que a Leonor mergulhe mais de metade do seu tempo livre na vida de adolescente com os amigos e amigas, com as aventuras que tem nesta altura, ou que passe muito tempo no telefone. Faz parte e faz falta. O que me iria aborrecer e preocupar era perceber que a minha filha, um dia, precisaria de mim e eu, à distância de uma divisão da casa, não estaria ali porque não falaria a mesma “língua” que ela. Isso é o importante. Não é o estar a toda a hora, sufocar, questionar, indagar. Isso não é nem bom, nem importante. Importante e fundamental é fazê-la perceber que estamos aqui. E que em momento nenhum pode sentir que não. Este ano a Leonor faz 18 anos. Outra fase, outros apertos, outras alegrias&#8230; será sempre assim. Faz parte e ainda bem, mas saberíamos</span> lá nós, os pais, que um dia alguém nos viraria o mundo do avesso de tamanha vontade de os ver felizes.</p>
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		<title>… Ontem e hoje!</title>
		<link>https://euclaudio.com/ontem-e-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[… Esta semana eu e a Maria recuámos no tempo e fomos até às fotografias que nos tiravam na escola primária. É bom recordar. Naquele tempo era uma criança. Quando olho para esta fotografia, vejo nela um punhado de vontades que tinha na altura e que sentia que se tornariam verdades. Tinha os olhos muito [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">… Esta semana eu e a Maria recuámos no tempo e fomos até às fotografias que nos tiravam na escola primária. É bom recordar. Naquele tempo era uma criança. Quando olho para esta fotografia, vejo nela um punhado de vontades que tinha na altura e que sentia que se tornariam verdades. Tinha os olhos muito abertos, assim como os tenho hoje. Eram arregalados, amendoados, um castanho que, de vez em quando, fica meio verde. Tinha esperanças dentro, antes de ir acabando com elas. Ficaram os olhos muito abertos à mesma, mas hoje já com as marcas que o tempo lhes trouxe. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e aos encontrões, percebemos que o que deixa de nos fazer criança não é o calendário. É a força com que a vida se agarra a nós e decide fazer o que quer. Não há tempo para nos explicarem que é demasiado complicado deixar de ser criança. Devíamos ser crianças muito tempo. Talvez sempre. A idade da inocência é a mais feliz, mesmo quando achamos que pode não ser. Acreditamos mais, logo, somos mais felizes. Sabemos menos, logo, somos mais felizes. Somos sempre mais felizes quando ainda acreditamos em alguém ou em alguma coisa. Em criança, nunca me avisaram que um dia ia deixar de acreditar. Não se pode cortar assim, a meio, aquilo que pensamos do mundo. Nem me disseram isso nem me explicaram que ia aparecer gente que me maltrataria, que iriam aparecer situações com as quais não conseguiria lidar, que ia ter contas para pagar, agenda para cumprir, ou que, quando crescesse, iria ter de construir uma máscara para enfrentar a idade adulta com a mesma verdade com que a imaginava em criança. Ainda assim, não me zanguei com a vida nem tenho saudades de ser criança, embora ninguém se tenha chegado ao pé de mim para dizer: <em>Cláudio, vai devagar, que isto não é almofadado e podes magoar-te a valer</em>. Aprendemos quando crescemos muito depressa que o que queremos é ser pequenos outra vez. Queremos ser outra vez inocentes para acreditar que a vida é uma criança que teremos de embalar, cuidar, respeitar até que adormeça. Estes olhos, grandes e meio desorientados, já foram alegres, histéricos, extasiados, tristes, humilhados, ofendidos, orgulhosos, medrosos, corajosos, envergonhados&#8230; São os meus olhos. Abertos. Muito abertos a quem foram roubando a capacidade de brilhar.</p>
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		<title>&#8230; A propósito!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 15:48:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Quando era criança, nunca ninguém me explicou que o mundo não seria almofadado. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e, aos encontrões, perce- bemos que o que deixa de nos fazer crianças não é o calendário. É a força com que a vida se agarra [&#8230;]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">&#8230; Quando era criança, nunca ninguém me explicou que o mundo não seria almofadado. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e, aos encontrões, perce- bemos que o que deixa de nos fazer crianças não é o calendário. É a força com que a vida se agarra a nós e decide fazer o que quer. Imaginem um boneco de trapos nas mãos, que o sacodem de um lado para o outro sem dó nem piedade&#8230; É isto que a vida nos faz. Não há tempo para nos explicarem que é demasiado cruel deixar de ser criança quando não nos tornam o cami- nho mais fácil. Devíamos ser crianças muito tempo. Talvez sempre. A idade da inocência é a mais feliz, mesmo quando achamos que pode não ser. Acre- ditamos mais, logo, somos mais felizes. Sabemos menos, logo, somos mais felizes. Eu defendo que os ignorantes são mais felizes. Somos sempre mais felizes quando ainda acreditamos em alguém ou alguma coisa. Em criança, nunca me avisaram que um dia ia deixar de acreditar. Não se pode cortar assim, a meio, aquilo que pensamos do mundo. Nem me disseram isso nem me explicaram que ia aparecer gente que me maltrataria, que iriam aparecer situações com as quais não conseguiria lidar, que ia ter contas para pagar, agenda para cumprir, ou que, quando crescesse, iria ter de construir uma máscara para enfrentar a idade adulta com a mesma verdade com que a ima- ginava em criança. Ainda assim, não me zanguei com a vida nem tenho sau- dades de ser criança. A vida é demasiado feroz para me zangar com ela. Iria perder a batalha. Tenho a certeza. Em criança não sei, mas sei que, quando crescemos, pagamos uma fatura muito alta assim que trocamos as voltas daquilo que a vida tem para nós. Nem é uma coisa de destino, é uma coisa mais forte que nos custa pagar. Custa muito. Há uns que não a pagam, são caloteiros, há outros que pagam a fatura com juros, porque são de fiar. Quem confia sofre mais, paga mais&#8230; Talvez seja mais feliz por ter as contas em dia. Um dia, havemos de saber isso, hoje fechamos os olhos e imaginamos que temos almofadas com cores, balões cheios de ar, desenhos animados na televisão, barulho de crianças na rua, calças rasgadas, joelhos esfolados, boca suja de chocolate&#8230; depois abrimos os olhos, e logo se vê.</p>
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