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	<title>objectivo &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>&#8230; Olha eu aqui (Podia ter sido cantor uma temporada)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2019 19:00:05 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Aquilo que esta foto representa pode ser só uma fotografia dentro de um caixote, mas há mais de vinte anos podia ter sido a capa de um disco&#8230; porque por esses dias tinha acabado de sair do Big Brother Famosos e um dia recebo um telefonema do meu agente da altura a dizer que <em>&#8216;iria mudar a minha vida</em>&#8216;. Fiquei empolgado, porque estava farto de fazer presenças e catálogos de roupa. Um desafio a sério era be vindo. Lá fui eu. A  primeira reunião foi no hotel Tivoli na Avenida da Liberdade. Infelizmente não me empolgou tanto como eu imagina. Estavam a desenvolver um projecto para uma boys band e eu tinha <em>&#8216;o perfil que procuravam&#8217;</em>. Eu? Vejamos: não sei cantar, não sei dançar, sou zero coordenado para o assunto, era magro, não devia muito à beleza e além de um cabelo marcante, dentro do género, para a altura não tinha mais nada&#8230; mas já era esperto e percebi rapidamente que o que queriam era juntar duas caras conhecidas (havia outra pessoa que era tão conhecido como eu) a mais dois e a coisa acabava por acontecer. Devo dizer que sempre tive muito claro o que queria fazer, por isso entrar num projecto destes só se fosse uma porta de entrada para o que eu queria, e o que eu queria não passava por cantar nem dançar. Isso seguramente!&#8230; Fui a umas quantas reuniões, ensaios, provas de roupa. Quase sempre em lugares diferentes, o que era estranho. Fez-se de tudo. Mas não me lembro nunca de me meteram um microfone à frente, perguntarem se eu sabia cantar, queria aprender ou se gostava. Um dos elementos abandonou o projecto sem lhes dizer nada, falou comigo e disse &#8216;<em>Cláudio, o que eles querem é explorar a nossa imagem&#8217;</em>. Eu sou mais esperto que isso. Estive ali em ensaios umas quantas semanas, percebi como tudo funcionava, como funcionava a imprensa naquela altura e os meandros daquilo que seria um projecto temporário. Não tinha base, não tinha amadurecimento. Não tinha como funcionar. Não era para mim percebi no primeiro minuto, mas absorvi o que consegui. Eu não queria fazer por fazer. Eu nunca lhes disse que queria cantar ou dançar. Não era a minha praia. Fui empurrado pelas circunstâncias da altura como acho que muitos jovens são, deixam levar-se pelas conversas, pelas promessas, pelos sonhos que nos vendem entre quatro paredes em salas grandes com imponentes quadros e secretárias e por agentes que se atravessam e que gostavam mais da comissão que poderiam receber do que da mãe que os pariu. Tinha a minha cabeça no lugar, tirei daquilo o que tinha que tirar e um dia disse <i>&#8216;vou ter que abandonar o projecto. A produtora da Teresa Guilherme chamou-me para fazer um casting para um programa de televisão, e não é compatível&#8217;</i>. Os olhos deles brilharam. Para eles era o ideal. Se tudo corresse bem eu ficaria ainda mais conhecido. Era agora ou nunca, mas tinha de assinar para &#8216;<em>ser legal&#8217;</em>. Não assinei. Disse que ia pensar e responderia no dia seguinte. Nao voltei. Disse ao meu agente da altura que resolvesse como quisesse mas eu não ia fazer aquilo. Eu ia fazer o casting da Teresa Guilherme. Fui fazer o casting à Avenida do Brasil perto de Alvalade. O meu agente nunca acreditou que eu ficasse no programa, ele achava que eu devia aproveitar a oportunidade certa de estar na banda e não acreditar em promessas ou suposições, na verdade eu acho que o tal agente nunca acreditou em mim. Marquei uma reunião com ele. Insistiu comigo. Rasguei o contrato à sua frente e nunca mais falei sobre o assunto. Fui para o Alentejo, senti medo e pensei na possibilidade de ter deitado fora uma oportunidade em troca de uma intuição que tinha. Tempos depois fui fazer o &#8216;Rosa Choque&#8217; com a Teresa Guilherme na TVI. Tinha passado no casting. Encontrei várias vezes os empresários. Um deles durante anos não me falou, o outro voltou a convidar-me para gravar um CD de Natal nesse mesmo ano (não gravei como se sabe) e o agente disse que me ia processar. Ainda estou à espera da minha ida a tribunal por causa disso. Entretanto soube mais tarde que mudou de rumo profissional. Nunca tinha contado isto e hoje, ao dar de caras com esta fotografia lembrei-me da história. Foi rápida, parece que aconteceu em outra vida. Não me lembro se a banda durou muito tempo, mas sei que aconteceu. Eu podia ter cometido um dos maiores erros da minha vida e só não o fiz porque não permiti que me desviassem do meu objectivo. Tinha sido fácil fazê-lo se não tivesse foco. Nesta profissão (como na vida) o foco pode ser a nossa salvação. O foco e a intuição.</p>
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