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	<title>parabéns &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>&#8230; A SIC faz anos (Estou dentro dela há 20)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 17:31:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[… Esta imagem de má qualidade, roubada ao ecrã tem uns 20 anos. Foi o dia de estreia da minha estreia na SIC. Sete anos antes já tinha enviado currículos, cartas, k7, feito telefonemas. Já tinha ouvido sentado em casa mil vezes o genérico de abertura, já tinha ensaiado em casa mil aberturas feitas por [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">… Esta imagem de má qualidade, roubada ao ecrã tem uns 20 anos. Foi o dia de estreia da minha estreia na SIC. Sete anos antes já tinha enviado currículos, cartas, k7, feito telefonemas. Já tinha ouvido sentado em casa mil vezes o genérico de abertura, já tinha ensaiado em casa mil aberturas feitas por mim. Sete anos anos antes já eu me tinha candidatado a tudo e mais alguma coisa, sabia tudo de cor, terei feito quase todos os castings, conhecia toda a gente nova que tinha tido a sorte de ser abraçada logo no começo. Há sete anos esperava nervoso pela chegada do correio para saber se, na volta, existia uma resposta. Existiram muitas. Guardo-as todas. Não foram positivas. Nenhuma delas. Mandei sugestões, mandei ideias de programas, alterações de guiões, tudo o que possam imaginar&#8230; Não aconteceu. Aconteceu mais tarde. Aconteceu quando tinha de acontecer. Sete anos depois, num casting atrevido que fiz para as &#8216;Noites Marcianas&#8217;. Ofereci-me para o fazer. Correu-me bem o atrevimento à moda antiga. Um miúdo chega com uma k7 gravada e entrega na recepção da SIC com um envelope ao cuidado do Dr. Emídio Rangel. No mesmo dia fui chamado pela produtora para fazer o casting a sério. No mesmo dia do casting soube que ficava. &#8216;Esqueci-me&#8217; de lhes dizer que vivia em Vila Boim. Estavam convencidos que vivia em Lisboa, foi o que escrevi na carta. Sabia que se dissesse que estava a viver no Alentejo, há vinte anos, não teria sido escolhido. Já tinha passado por muitos exemplos que me levaram a acreditar nisso. Fiz trinta por uma linha, mas no dia marcado, bem antes da hora marcada cá estava eu pronto para <em>&#8216;fazer como na k7</em>&#8216; palavras do Dr. Emídio Rangel, director de programas na altura. As &#8216;Noites marcianas&#8217; apresentadas pelo Carlos Cruz foram a minha primeira vez &#8216;a sério&#8217;. Eu, vinte anos mais novo, vinte anos mais inocente, vinte anos mais leve e com mais vinte anos de sonhos e quereres em cima. Para mim, já naquela altura televisão era alma, vida, comunicação, entretenimento, informação. É por isso que a faço. Eu sou um apaixonado pelo mistério da caixa mágica, que tem que se saber reinventar a cada década. A que se avizinha não será fácil para Ela (televisão), porque tem hoje muita concorrência e a vida nada facilitada, mas, da mesma maneira que o teatro não acabou com o cinema e a rádio não acabou com a chegada da televisão, estou convencido que existirá sempre um lugar para Ela como a entendemos hoje. Divertida e a chegar a toda a gente. É disto que não nos podemos esquecer: que a televisão é uma coisa de todos feita para todos. Não é um nicho para agradar a meia dúzia ou só a alguns. Por fazer televisão, por gostar de estar dentro dela, mas acima de tudo porque gosto de a ver, sinto um orgulho imenso em celebrar estes 27 anos da SIC. Estreei-me na casa há 20 anos. Fiz tanto do que sonhava fazer e falta-me tanto do muito que ainda sonho. Só assim entendo as coisas. Os nervos antes de se ligar a luz encarnada, o som do bater do coração que se consegue ouvir num microfone mais atento, a câmera que será os olhos da pessoa a quem vou chegar. Televisão é isto! É a pessoa do outro lado. Eu nunca quis fazer outra coisa na vida, nunca quis ser outra coisa na vida que não fosse apresentador. Em pequeno brincava a apresentar festivais da canção, imitava locutoras de continuidade, fazia espectáculos onde criava os participantes para os poder apresentar. Eu não respiro outra coisa. Sei fazer outras coisas, que a vida ensina-nos a aprender. Mas o que faço melhor é isto. Olhar nos olhos de quem está por trás da caixa, cada vez menos caixa como a entendíamos, como a conhecemos, e imaginar que a pessoa me escuta atentamente. Que se vai rir comigo, que a vou emocionar, que lhe vou despertar um qualquer sentimento que valerá a pena. Eu sou muito feliz a fazer televisão. Nem tudo é fácil, nem todos os dias são de risos ou vitórias. Bati muitas vezes a portas que não abriram, tive muitas reuniões que não resultaram. Fiz muitas vezes o caminho de volta a casa depois de sair do estúdio frustrado no carro por não conseguir fazer o que queria. Subi muitas vezes a escada para casa com uma sensação de vazio  imensa. Adormeci a planear conteúdos, palavras, histórias… O esforço tem de ser grande. Para captar a atenção do outro lado é preciso uma reinvenção constante e no dia que isso não acontecer vale mais desistir. Somos a companhia das pessoas. É nelas que penso, por isso, tenho um respeito tão grande pelo <em>daytime,</em> onde os programas se destinam a uma franja que depende de nós para sentir o pulso ao dia, e quanto mais formos o pulso delas, mais respiram. Quanto mais elas nos respirarem, mais vida a televisão tem. A SIC está de parabéns por estes 27 anos. Digam o que disserem, sem ela Portugal não chegava ao mundo com os olhos da realidade, com as cores tão nítidas e com a verdade estampada no ecrã. Digam o que disserem sem ela eu não teria realizado tantos dos meus sonhos e conhecido tanta gente que faz parte da minha vida, como há tantos anos faziam os amigos e vizinhos que me viam fazer teatros, espectáculos, falar ao microfone e reviravam os olhos convencidos que não passaria daquilo&#8230; Valeu a pena a insistência. Passados tantos anos, deixei de ser vizinho &#8216;só&#8217; deles para ser do País inteiro, isto significa que eu tinha alguma razão. Muito obrigado a todos!</p>
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		<title>&#8230; Parabéns Cristina! (Podia ser Cristina do Mar)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 07:13:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8230; Não é o dia dela porque na verdade todos os dias têm sido dela de há muitos dias para cá. Hoje, a Cristina faz anos. O mundo celebra hoje o dia que a viu nascer, sem este mundo imaginar que ela trocaria as voltas a tudo o que lhe aparecesse à frente até deixar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; Não é o dia dela porque na verdade todos os dias têm sido dela de há muitos dias para cá. Hoje, a Cristina faz anos. O mundo celebra hoje o dia que a viu nascer, sem este mundo imaginar que ela trocaria as voltas a tudo o que lhe aparecesse à frente até deixar o seu nome marcado nele da mesma forma que o tempo deixa a marca nas rochas e mesmo assim, depois do muito que o sol lhes dá, que o vento as tente derrubar, que o mar insista em as desviar, as rochas ficam no lugar que delas por destino. Marcada pelo tempo a rocha fica ali. Firme e presa sem abanar nem desviar. Moldada, a verdade é essa, o que atinge a rocha ao longo do tempo deixa marcas. A rocha parece dura e a olho nú quase não se notam a marcas, mas as marcas estão lá. Na rocha como no mundo e a verdade é que Cristina tem o seu nome marcado na história do mundo da televisão como milhares de ondas foram responsáveis pelas marcas deixadas nas rochas do mar que ela tanto gosta. Nunca lhe perguntei, mas o barulho do mar deve ser a sua banda sonora favorita. Palpita-me que o azul que se mistura no horizonte quando mar e céu juntos fazem junção, deve ser a cor que escolhia para ela, se tivesse que escolher uma cor até porque é em <em>degradé. </em>O sol quase a desaparecer lá ao fundo numa dança de tons que se misturam entre o encarnado, o amarelo e o laranja seriam um par de brincos vistosos e desconfio que a espuma do mar quando rebenta na beirinha e deixa o rendilhado contornado a branco na areia molhada na altura que regressa a casa, pode fazer-lhe lembrar os enfeites de que gosta quando aparece ao mundo e dos quais se despe quando o mundo é só dela e dos delas. &#8216;Os dela&#8217; são poucos, muito menos do que se pode imaginar e acredito que muitos nem imaginam que não pertencem ao mundo dela. Estão &#8216;apenas&#8217; nele convencidos disso, mas a Cristina também nisto é como o mar, &#8216;<em>porque o mar deita fora o que não presta&#8217;</em>. Toda a vida ouvi isto, toda a vida tive este lema e desde que se mudou para o bairro onde eu já morava e me deu a chave de casa, percebi que ela sabe mais disto meio adormecida, que o mundo todo acordado de repente com baldes de água gelada, como se os baldes tivessem sido cheios com a água do mar frio da Ericeira &#8211; e se a água da Ericeira é fria &#8211; é bom que seja, para que fiquem despertos e espertos e percebam que hoje se assinala o dia da Cristina porque o calendário dita que se assinalem os dias e alguém decidiu que fosse neste dia, há 42 anos que a Cristina começasse o seu caminho. Não e fácil este caminho, não se enganem com o brilho, com os valores, com as capas, com o títulos, com a fotografias, não se deixem enganar  pelo caminho, porque terá tanto de bom como de mau e o sorriso &#8211;  a Cristina tem o sorriso mais bonito da televisão (e eu tento imitar todos os dias) muitas vezes &#8211; se deve transformar em lágrimas com sabor a sal como a água do seu mar, porque de vez em quando custa. Porque se de vez em quando custa a todos, ser Cristina Ferreira também deve custar. Até aos pescadores, que conhecem o mar como a palma da mão lhes custa de quando em vez desbravar a água, como não custaria a alguém que quer fazer o seu caminho? Um caminho feito de desbravar. É um caminho bonito. Se ela hoje olhar com atenção vai perceber de certeza que o caminho é bonito, se o olhar de frente pode dar de caras com um mar sereno e calmo a meio desta caminhada, mas que já foi menos bonito e mais turbulento com ondas a bater umas nas outras, areia pouco suave onde os pés arranhavam só de a pisar e a chuva caía fria e grossa em cima do mar, da areia e das rochas numa briga onde eram todos vencedores num <em>podium</em> só de primeiros lugares porque são todos forças da natureza. E a natureza vence sempre, seria um empate entre eles. A Cristina é uma força da natureza, mas até nisso diferente, ela gosta pouco de empates. Garanto! Hoje, que estou todos os dias com ela, não me arrependo de nenhuma critica ou elogio que lhe fiz desde que dou opinião sobre a figura que aparece no ecrã. A Cristina faz anos, está de parabéns, e antes que ninguém se atreva a dizer-lhe por vergonha ou porque o elogio no nosso País não se pratica muito, é importante que se lhe diga que, sem querer ou querendo, fica com o nome gravado na história da televisão em Portugal, como o tempo gravou marcas nas rochas de tanto insistir nelas. Daqui a 50 anos, quando falarem de televisão, vão falar de uma loira bonita, que falava alto, de jeito leve, decidida, empreendedora, inovadora e marcante. A mulher que mudou o rumo da história da televisão em Portugal, não porque se transferiu de canal &#8211; que isso é a lei do mercado &#8211; ou pelo menos não só por isso, mas porque Ela inventou uma forma de fazer daytime com o capricho de quem olha para o horário nobre, porque ela mostrou a todos, que todos os horários da televisão são nobres, se a televisão for feita com a nobreza e o respeito que merece, porque é isso que merece quem a vê. Faz anos a Cristina da televisão, e faz a mãe, a filha, a namorada, a mulher, a amiga. Todas as &#8216;Cristinas&#8217; numa Cristina que poucos conhecem e que guarda religiosamente para si, quando se despe de todos os brilhos e se aconchega em casa sozinha ou com os vizinhos que  lhe batem à porta porque a vida os meteu no seu caminho e ela os manteve na sua vida &#8211; e não falo de mim, que cheguei ontem &#8211; falo dos que fazem o caminho há tanto tempo como ela. Uma das coisas boas desta Cristina é saber que tem gente no seu caminho há tanto tempo como ela. Isto diz muito de uma pessoa, para quem entende de pegadas e de pessoas, na prática isto diz quase tudo. Parabéns Cristina!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="font-size: 8pt;">.</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 8pt;">foto: Instagram Cristina Ferreira</span></strong></p>
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		<title>&#8230; 73 anos de mãe! (A vida dela dava um filme)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 13:26:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[… A minha mãe não gosta que se fale dela, nem que se escreva sobre ela! Mas hoje é o dia dela. É minha mãe há 45 anos, mas nasceu há 73. Mãe de nove filhos e cinco netos. As mães não são todas iguais, não podem ser, nem devem ser. Não queria ter outra [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">… A minha mãe não gosta que se fale dela, nem que se escreva sobre ela! Mas hoje é o dia dela. É minha mãe há 45 anos, mas nasceu há 73. Mãe de nove filhos e cinco netos. As mães não são todas iguais, não podem ser, nem devem ser. Não queria ter outra mãe. Tenho esta, que sabe exactamente o que cada filho é e que respeita sem questionar. A liberdade com que nos criou, a disciplina com que nos educou e o rigor na formação de carácter, faz com que, hoje, cada um dos seus oito filhos, apesar de todos diferentes entre si, tenham escolhido um caminho que a orgulha. Ser mãe é estar. É  à minha mãe a quem devo a minha vida e definição de carácter. A minha mãe viveu toda a sua vida agarrada à bandeira da liberdade. Viajou, namorou, casou, teve filhos, conheceu o mundo, estudou, e é uma das mulheres mais cultas que conheço. Fala de tudo e em vários idiomas, tem uma vida que dava um filme, vem de uma linhagem rara, foi modelo, actriz, herdeira, empresária, empregada, trabalhou no campo, foi uma aventureira e, à frente no seu tempo, foi uma orgulhosa mãe solteira… E, lá atrás, alguém lhe passou a mensagem que o que faz uma pessoa é a forma como trata os outros. Essa é a melhor lição que se pode passar a um filho. Somos oito irmãos, temos dias bons e dias maus, mas temos uma mãe que dentro da sua vida nos passou as ferramentas para que a nossa fosse feliz. Não foi fácil a vida da minha mãe a partir de certa altura. A minha mãe ficou sem mãe muito cedo. Depois sem pai. Mas não foi caso único, e não faz dela melhor nem pior. Não viveu amargurada com isso, nem com o facto de ter perdido um filho, nem com o facto de ter visto o seu casamento acabar, a sua fortuna desaparecer… Agarrou sempre a vida de frente com os olhos postos num dia melhor. Agarrou-se ao trabalho, aos filhos, aos netos e aos livros. Não conheço ninguém no mundo que goste tanto de ler como a minha mãe. É uma mulher culta, educada, rabugenta (como todas as mães), mas acima de tudo é uma avó maravilhosa, a quem eu devo muito pelo muito que fez e faz pela minha filha. Tem muito mais tempo de ser avó do que foi mãe, porque a vida é feita assim. Mil anos que eu viva, não terei palavras para agradecer a dedicação à minha filha Leonor. Há coisas que não se dizem, porque as mães conhecem os filhos, melhor do que os filhos conhecem as mães. Eu tenho uma grande mãe mas a minha filha tem a melhor avó do mundo!… E sem ela tudo seria muito mais difícil. Nasceu há 73 anos e se um dia eu conseguir, faço da vida dela um filme. Seguramente!</p>
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