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	<title>programa &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>… Olhar para trás!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Oct 2021 11:24:38 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">&#8230; Diogo Infante emocionou-se no &#8216;Dois às dez&#8217; quando a Maria lhe perguntou do menino de 17 anos que deixou o Algarve. O que lhe diria Ele hoje, sendo um homem de sucesso e feliz &#8230; Emocionou-se. Notei-lhe saudades nos olhos. Eu também tenho saudades do antigamente. Tenho saudades, não que seja saudosista, até porque estou numa fase muito feliz a minha vida, mas de vez em quando olho para o lado e já lá muita coisa do que estava e me fazia feliz. Não estão tantas pessoas que fizeram parte de mim, não estão a Rumba nem o Espinete, os cães da minha infância, não está a piscina improvisada no alpendre da casa grande onde no verão nos molhávamos com mangueira, não está o Perdigão, do talho onde comprava chouriço de cordel, nem o primo Agapito, onde comprava as minhas revistas de televisão. Não estão a dona Teodora nem o senhor Joaquim, no café da vila, não está a dona Maria Saloia, que me viu crescer na escola. De vez em quando, chego a ter saudades da altura em que a luz em casa nos aparecia com candeeiro a petróleo, onde tinha horas para chegar e para sair, saudades dos domingos a limpar o quintal grande que era “maior do que a praça”. Tenho saudades da praça como era antigamente. Sem pedras de calçada, de terra batida e onde cada banco era um palco. Saudades da escada grossa de entrada na escola onde fazia o estúdio de rádio e de fazer o caminho até ao tanque das Fontanas ou ao regato da Pias. Não que seja saudosista, mas não devo ser o único que tem saudades de quando a novela era às oito e meia, o jornal durava meia hora certa. Saudades de ver gente a conversar em casa, na rua, nos cafés&#8230; Havia sempre conversa para ter, porque não havia aparelhos modernos para desviar o assunto. Preocupávamo-nos com o que pensavam de nós os vizinhos e amigos, e não o resto do mundo, como agora, porque transformámos as aplicações numa coisa imprescindível na nossa vida. Tenho saudades de brigar por um berlinde e não por ver quem tem mais likes numa foto, de me rasgar no chão aos encontrões, de estar em cima das árvores só porque sim e achar que era uma grande aventura, ou assar um chouriço no campo e ficar ali com copos de vinho e amigos muitas horas de muitas noites&#8230; As noites demoravam a passar o tempo que uma noite tem e às vezes até mais. Hoje, não. Hoje, a noite atravessa-se no dia e o dia atravessa-se em nós. Tenho saudades de quando não se atravessavam as coisas umas nas outras. Na verdade, tenho saudades de quando tínhamos menos coisas para que umas roubassem às outras tempo. E estamos secos de tempo. Cuidado! É preciso dar tempo ao tempo, porque corremos o risco de perder muitas coisas enquanto ele nos atropela nesta ansia despertada de nadar desenfreadamente para um lado qualquer. Acho que podemos de vez em quando boiar. Apenas boiar.</p>
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		<title>… Ontem e hoje!</title>
		<link>https://euclaudio.com/ontem-e-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[… Esta semana eu e a Maria recuámos no tempo e fomos até às fotografias que nos tiravam na escola primária. É bom recordar. Naquele tempo era uma criança. Quando olho para esta fotografia, vejo nela um punhado de vontades que tinha na altura e que sentia que se tornariam verdades. Tinha os olhos muito [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">… Esta semana eu e a Maria recuámos no tempo e fomos até às fotografias que nos tiravam na escola primária. É bom recordar. Naquele tempo era uma criança. Quando olho para esta fotografia, vejo nela um punhado de vontades que tinha na altura e que sentia que se tornariam verdades. Tinha os olhos muito abertos, assim como os tenho hoje. Eram arregalados, amendoados, um castanho que, de vez em quando, fica meio verde. Tinha esperanças dentro, antes de ir acabando com elas. Ficaram os olhos muito abertos à mesma, mas hoje já com as marcas que o tempo lhes trouxe. Cresci muito depressa. Fiz-me bem-disposto, porque não entendo a vida de outra maneira. Vamos crescendo e aos encontrões, percebemos que o que deixa de nos fazer criança não é o calendário. É a força com que a vida se agarra a nós e decide fazer o que quer. Não há tempo para nos explicarem que é demasiado complicado deixar de ser criança. Devíamos ser crianças muito tempo. Talvez sempre. A idade da inocência é a mais feliz, mesmo quando achamos que pode não ser. Acreditamos mais, logo, somos mais felizes. Sabemos menos, logo, somos mais felizes. Somos sempre mais felizes quando ainda acreditamos em alguém ou em alguma coisa. Em criança, nunca me avisaram que um dia ia deixar de acreditar. Não se pode cortar assim, a meio, aquilo que pensamos do mundo. Nem me disseram isso nem me explicaram que ia aparecer gente que me maltrataria, que iriam aparecer situações com as quais não conseguiria lidar, que ia ter contas para pagar, agenda para cumprir, ou que, quando crescesse, iria ter de construir uma máscara para enfrentar a idade adulta com a mesma verdade com que a imaginava em criança. Ainda assim, não me zanguei com a vida nem tenho saudades de ser criança, embora ninguém se tenha chegado ao pé de mim para dizer: <em>Cláudio, vai devagar, que isto não é almofadado e podes magoar-te a valer</em>. Aprendemos quando crescemos muito depressa que o que queremos é ser pequenos outra vez. Queremos ser outra vez inocentes para acreditar que a vida é uma criança que teremos de embalar, cuidar, respeitar até que adormeça. Estes olhos, grandes e meio desorientados, já foram alegres, histéricos, extasiados, tristes, humilhados, ofendidos, orgulhosos, medrosos, corajosos, envergonhados&#8230; São os meus olhos. Abertos. Muito abertos a quem foram roubando a capacidade de brilhar.</p>
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		<title>… A Maria Contou-me que está feliz!</title>
		<link>https://euclaudio.com/a-maria-contou-me-que-esta-feliz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Feb 2021 19:33:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Maria Cerqueira Gomes]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">&#8230; A Maria. Conheço-a há muito tempo. Não sonhava, nem eu nem ela, trabalharmos um dia juntos, mas a verdade é que sem nos conhecermos já nos gostávamos. Depois, quis o destino que nos viéssemos a cruzar a sério em televisão e a coisa deu-se, Eu gosto de um lado de Maria que muita gente não conhece, ou pelo menos ainda não teve tempo de conhecer. Ela é pura. Tem a imagem de uma miúda bem disposta e distraída. É bem disposta mas não é tão distraída como as pessoas julgam. Ela quer fazer o seu trabalho, ser mãe e encontrar um amor que a faça feliz ou reencontrar o seu espaço num amor que já tem. A Maria é genuinamente boa pessoa. Daquelas que merece que lhe aconteçam coisas boas, porque não deseja mal a ninguém, não diz mal de ninguém e não gosta que se comente alguma coisa de alguém à sua frente e se foi num sentido depreciativo menos ainda. É uma miúda rara? Muito. É preciso valorizar o que temos de bom, quando a temos e ficamos com a noção de que vale a pena manter. É o que sinto com a Maria que me deixou muito feliz quando foi escolhida para fazer o Você na TV e me recebeu no programa quando cheguei à TVI. Falámos muito, muito, muito do que seria este caminho. Fiquei sempre na duvida se a Maria estava preparada para abraçar a tempo inteiro o day time com a &#8216;carga&#8217; toda que ele tem. Acho que não! Acho que a paixão que tem pela televisão não é superior à sua vontade de continuar a viver feliz com os seus no seu canto. Televisão sim, e muita, mas em lugares que a façam feliz &#8216;<em>se não for feliz não me vale a pena!</em>&#8216; foi uma frase que me disse há muitos meses, logo quando em Março do ano passado foi para o Porto. Pensei muito naquilo. Pesa nas minhas escolhas o facto de ser de uma geração mais velha, de ter menos tempo e mais vontade. A Maria era feliz a ser Maria no &#8216;Porto Canal&#8217;, aceitou o desafio e o mundo abriu-se para o que ela sempre quis fazer. De repente estava no País inteiro com toda a gente a apontar-lhe o dedo para o bom e para o mau. Passou por maus bocados algumas vezes e foi feliz em tantas outras. Mas nas contas feitas da sua primeira parte da aventura o saldo vai mais para o negativo. Agora, que abraça a segunda fase desta aventura – porque eu acho mesmo que tudo é feito por fatias – a Maria está outra Maria. Até os olhos dela ficam maiores e já são grandes. O sorriso está ainda mais rasgado, e a verdade é que quando me contou que ia fazer entrevistas &#8216;com tempo&#8217; no &#8216;Conta-me&#8217; o fez quase a chorar de emoção. Eu fiquei muito feliz por ela, porque sei que esta é uma das suas vontades. Ter tempo para conversar em televisão. O luxo que todos os profissionais da área querem ter, mas que poucos podem ter. Eu percebi a sua alegria, que já a tinha sentido quando assinava entrevistas no &#8216;Você na TV&#8217; no espaço &#8216;Gente com Norte&#8217; e sou também testemunha do irritada que ficava quando tinha que cortar a palavra dos seus convidados e não podia mostrar tudo o que lhe tinham contado. Deus – ou o Universo – sabe o que faz e por isso mesmo o &#8216;Conta-lhe&#8217; cai-lhe no colo e ele recebe-o de braços abertos. O que têm de bom as conversa feitas pela Maria? A transparência de querer ser espectadora das suas próprias entrevistas. O segredo? Eu acho que é o de querer ver respondidas pelos seus entrevistados as perguntas que ela gostava de escutar, se estivesse em casa no sofá a ver televisão&#8230; Gostei. Gosto das suas conversas. O que senti nesta fase com a Maria Cerqueira Gomes é que ela está feliz por se mostrar como é. Numa altura em que andamos todos de candeias às avessas pelo estado em que o mundo se mostra, é um privilégio olhar para o lado e ver gente feliz com o que faz nas escolhas que fez. A Maria está feliz. Ela contou-me, mas não era preciso. Percebe-se.</p>
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