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	<title>Saudade &#8211; Eu, Cláudio</title>
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	<title>Saudade &#8211; Eu, Cláudio</title>
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		<title>… Quina, a homenagem da Maria!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Sep 2022 16:13:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[… A Quina de &#8216;Festa é festa&#8217; é uma prima do Bino que vem para a aldeia da Bela Vida atrás de um futuro melhor, que nunca descontou para a segurança social, o que a atormenta é a sua velhice e a insegura que isso traz, depois de ter estado uma vida inteira na &#8216;labuta&#8217; [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">… A Quina de &#8216;Festa é festa&#8217; é uma prima do Bino que vem para a aldeia da Bela Vida atrás de um futuro melhor, que nunca descontou para a segurança social, o que a atormenta é a sua velhice e a insegura que isso traz, depois de ter estado uma vida inteira na &#8216;labuta&#8217; constante e a cuidar dos seus pais a quem nunca faltou nada. A Quina fala alto, diz tudo e da sua boca saem palavrões entre palavras. A Quina é o reflexo de muitas mulheres a quem a vida nem sempre foi fácil e que se revêem totalmente nesta Quina de Maria. Eu sempre disse que um dos ingredientes para o sucesso da novela, é que apesar de ser cómica e muitas vezes tocar o exagero, todas as personagens tem a humanidade de alguém, ou são inspiradas, ou existem, ou de facto nos identificamos com elas&#8230; Maria confessou que recebe manifestações de mulheres que se identificam com ela e que gostam do que faz no seu papel que tem um certo exagero, mas que tiradas as camadas por seu uma novela cómica, encontramos a realidade de muita gente que procura o mesmo que ela e da mesma maneira. Uma das coisas bonitas que esta Quina tem, é que o seu exagero não ridiculariza, não ofende, não atrapalha. Pelo contrário, de certa forma – e isto são palavras minhas – pode ser uma homenagem às muitas Quinas que este País conhece. Acredito que sim e por isso a reacção de quem vê seja tão boa. Maria Rueff é o oposto de Quina. É uma mulher discreta, tímida, o que muitos &#8211; não raras vezes &#8211;  confundem com arrogância e que gosta acima de tudo de dar ao público a sua faceta enquanto atriz, porque sempre disse que <em>&#8216;é isso que importa</em>&#8216;. Tem uma filha de quem fala orgulhosa e babada e tem uma coisa que eu estou convencido que muita gente não conhece. Tem um lado de actriz, que a televisão não tem oportunidade de mostrar que vai além do que a grande maioria sabe e que é extraordinário, porque eu já a vi fazer outras coisas no palco e esqueço-me que são feitas pela Maria Rueff. Eu acho que isso é uma mais valia, quando um espectador, que está sentado se esquece de quem faz e vê apenas a personagem, é seguramente um ganho para quem dá a pele ao que está no palco. A Maria consegue fazer isso, mas isso, ao contrário do que se pensa é um trabalho complicado, porque – imagino eu – quando se é muito conhecido e se tem uma grande exposição mediática, entregar ao outro, outra pessoa que não a que se conhece e que se reconheça isso, é de valor e seguramente um trabalho bem feito. É isto que gosto quando vou ver alguém ao teatro, de me esquecer quem está lá enquanto pessoa, e ver a penas a alma da personagem que faz a historia. A Rueff é um bom exemplo disso e outra coisa muito boa é o acto de ser ultra multi facetada, claro que a maioria dos actores são, mas não tanto como se imagina, porque não seria muito complicado arranjar aqui uma lista de dez nomes onde quem faz humor, faz sempre da mesma maneira e dificilmente faz outro género sem pisar o risco que o tornou popular. Hoje apeteceu-me escrever sobre a Maria, uma das maiores actrizes da sua geração e &#8211; apesar de nunca lhe ter dito – sinto que merecia um espaço de humor seu na televisão, onde mostaria o muito que faz com a linguagem critica que o País precisa, porque é bom rir e se a gargalhada nos trouxer uma lição ou mensagem, é outro sobre azul. Acho tremendamente injusto que não tenha um programa seu, não sei se é por opção ou não, mas gostava de a ver. Tenho esse direito!</p>
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		<title>… A Fátima da Saudade!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Nov 2021 12:20:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">&#8230; Talvez por ser uma pessoa muitíssimo atenta sempre vi na Fátima Campos Ferreira alguém com uma história muito mais próxima de todos, para lá daquela imagem que nos mostrava. Esta semana foi nossa convidada na manhã. Vi uma Fátima com os olhos humedecidos do primeiro ao último minuto. Muito próxima de cada um de nós e tão descontraída que não raras vezes lhe chegava o sotaque do Norte que tanto adora. Vi uma Fátima muito menina nas recordações de outros tempos e altamente avassaladora quando falou da sua actividade profissional. Estranhamente crua quando revela que se fosse hoje talvez a televisão não tivesse sido a sua opção e vi uma Fátima emocionada ao recordar o amor dos pais de quem se despediu para sempre, com quinze dias de diferença. Fala das suas memória com tanto entusiasmo, que um dia vai ter que contar tudo em livro para que fique o legado para os netos dos seus netos. Diz que a profissão é dura e muitas vezes limita a vontade de fazer diferente e por isso está onde quer com um programa de sonho que assinalou no dia que nos visitou um ano. Para ela, fazer o &#8216;Primeira pessoa&#8217; é um presente nesta altura da vida, depois de ter estado muitíssimos anos como maestrina de uma peça de teatro em directo como era o &#8216;Prós e contras&#8217;. Lembra que foi Júlia Pinheiro que lhe deu dicas para &#8216;enfrentar&#8217; o público numa conversa de chá que tiveram antes de estrear. Fala de tudo sem nenhum problema nem grandes rendilhados, mas senti-a triste. Senti-a com saudades de qualquer coisa que não tive tempo de perceber&#8230; Sente-se uma mulher privilegiada pelos lugares que a profissão a levou e pelas pessoas que foi metendo na sua vida. É uma pessoa despachada, claramente uma mulher muito à frente do seu tempo porque nunca a condição de o ser lhe travou a vontade de fazer. Talvez gostasse de viver em Itália e talvez gostasse de recuar uns anos largos no tempo para que a sombra da saudade lhe desaparecesse dos olhos. A primeira vez que falei com ela largamente foi, há muitos anos, num jantar de verão no Algarve com a descontracção que nos permitem as noites de Verão. Esta semana era a mesma Fátima, próxima, sem rodeias e muito pouco preocupada em falar bonito para agradar&#8230; recordou os seus começos, recordou como aqui veio parar e fez questão de dizer a todos que a televisão de hoje é mais complicada que quando começou. É mais difícil de se fazer, mas mais verdadeira. Elogiou a Botelho Moniz porque se levantou da sua cadeira e lhe arranjou o microfone ´é desta televisão que se gosta e é desta televisão que se precisa&#8217; disse Fátima, sentada na beira do sofá cor de rosa, animada, bem disposta, mas com o ar de saudade que seguramente lhe retiro muitas vezes também das fotografais que vai postando no seu facebook, para cumprir a vontade da mãe quando lhe pediu &#8216;conta-lhes quem somos. Dz-lhes quem somos!&#8217; Orgulhosos devem estar os pais de saber que a Fátima não só conta, como explica cheia de vontade. E ali se passaram largos minutos entre risos, conversa e a emoção sempre presente quase que apostava que pela saudade&#8230; essa palavra bonita e complicada de gerir que ela tem esgravatado par que os netos de seus netos um dia saibam de onde vêm.</p>
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		<title>&#8230; Pedras (que  ninguém entende)</title>
		<link>https://euclaudio.com/pedras-que-ninguem-entende/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cláudio Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2019 23:18:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Actualidade]]></category>
		<category><![CDATA[alentejo]]></category>
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		<category><![CDATA[escuridão]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias]]></category>
		<category><![CDATA[recordação]]></category>
		<category><![CDATA[Rua]]></category>
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					<description><![CDATA[&#8230; As pessoas não entendem. Não percebem o cheiro, o silêncio, os olhos húmidos, o corpo frio, os braços à volta de nós, a cabeça neste lugar quando está em outro lugar qualquer ou noutro lugar quando está amarrada a este. Voltar. Perceber que só é ali, porque foi aqui. As pessoas não entendem este [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8230; As pessoas não entendem. Não percebem o cheiro, o silêncio, os olhos húmidos, o corpo frio, os braços à volta de nós, a cabeça neste lugar quando está em outro lugar qualquer ou noutro lugar quando está amarrada a este. Voltar. Perceber que só é ali, porque foi aqui. As pessoas não entendem este chão pisado devagar cheio de pedras que já foram pisadas milhões de vezes para baixo e para cima, mas que quase apetece não pisar para não magoar. Não entendem as pessoas nem se podia entender que alguém achasse que as pedras não deviam ser pisadas, para não as magoar porque muitas vezes foram chão em estado puro quando não havia mais nada. Não entendem que esta rua escura que se sabe agora que tem fim, teve alturas que parecia infinita como se não tivesse esquinas nem ninguém ao virar delas. As pessoas não entenderiam se vissem olhos húmidos de nada no meio do frio num frio que estranhamente aquece porque sabe a abraço de casa. Não há outro frio assim, nem outro lugar assim. Não sei se as pessoas entenderiam fosse o que fosse que saísse da cabeça de alguém que pisa pedras da rua mas queria flutuar nelas para as poupar porque acha que já são massacradas pela correria, pelo sol quente, pela chuva forte, pelos jovens atrás de uma bola, pelos pés encostados a elas de manhã, à tarde e à noite à espera que a manhã passe, a tarde passe, a noite passe, pisadas vagarosamente pelos pés da procissão, molhadas pelas lágrimas de um funeral. Pisadas ontem, antes de ontem, muito antes desse dia e agora. As pessoas podem não entender mas não podem tirar às pedras a história de quem as pisou. Há aqui uma ligação estranha de afecto raro entre o que era para ter sido, o que foi e o que é. Há um chão coberto de pedras postas ao acaso que parecem a preceito no caminho que cada um faz.  As pessoas não entendem, mas as pessoas muitas vezes não entendem porque não se dão ao trabalho de ver onde pisam e não se lembram que se não tivessem estas ou outras pedras quaisquer nada lhes amparava os passos.</p>
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