… Acabou-se. E começa tudo outra vez!

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…  Não tenho a ilusão de que com a chegada de um novo ano tudo muda. Não partilho da euforia quase histérica da animação geral à meia-noite em ponto, como se minutos antes tudo fosse o caos e de repente, por conta dos ponteiros do relógio, entrássemos na cápsula do tempo e tudo mudasse! Não acredito nisso. Não gosto da confusão obrigatória das festas deste dia. Opto, sempre que posso, por viajar, aproveitar os dias para fazer algo diferente, ou ficar em casa. Sozinho e sossegado. Acredito que a data sirva para reflexão e renovação. É nisso que aposto. Em renovar as energias e acreditar que o ano novo será melhor. A saúde é o mais importante, sem ela nada nos é permitido. Quero-a. Muito e a toda a hora, para mim e para os meus! No ano novo, quero continuar a acreditar em milagres e quero continuar a desafiar-me profissionalmente para me sentir vivo e útil. Vou ainda ser mais selectivo nas pessoas que se cruzam comigo, embora deva relaxar para me permitir surpresas. Vou jantar mais vezes com os meus amigos. Vou ter vinho tinto em casa porque um copo ao serão me sabe bem. Quero continuar a ir ao ginásio com disciplina mas sem sacrifício (a parte do sacrifício acho difícil). Vou tentar estar menos tempo no computador ou pendurado no telefone. Vou estar atento a gente que me ensine coisas novas. Talvez consiga começar a fazer yoga. Quero aprender a falar inglês, mas sei também que não me vale a pena pensar que o vou fazer, porque não vou. Quero fazer férias na Grécia, quero ir à Maldivas e conhecer Nova York. Quero muito Nova York. Queria mesmo! Quero bronzear o corpo com o sol e ir muitas vezes à praia, muitas mais que este ano que acabou onde fui muito pouco. Quero ir mais vezes ao teatro, quero ver mais concertos e ter mais tempo para ler. Quero acreditar que este ano vai ser positivo. O que passou foi um ano sereno, mas muito cheio. Trabalhei muito e tive alturas em que me esqueci de mim. Tentei chegar a todos os lados e falhei-me algumas vezes e essa é uma sensação de frustração que tenho e que pago com domingos desperdiçados num sofá agarrado a um gelado porque não me apetece fazer mais nada além de descansar. Não me posso queixar, nem me devo culpar por isso. Seria injusto e é a vida que escolhi, só tenho de aprender a gerir melhor as peças profissionais com as pessoais de forma a que encaixem na perfeição. Mas a perfeição não existe, né? Deste ano levo comigo um enorme crescimento profissional, a minha casa nova, a minha filha que celebrou 18 anos e entrou na faculdade, levo as coisas e as pessoas boas que Ele me deu. Pessoalmente, conseguiu surpreender-me quando não estava à espera de algumas coisas e aprendi a esperar. Mantenho comigo a esperança de que a espera, pode valer a pena. Provei que sou capaz de me superar, que o caminho segue sempre em frente, mesmo que por atalhos, mas tive muito a sensação frustrada de não ter conseguido o que pretendia e não encontro razões para isso. Vivi emoções novas, lugares diferentes. Iludi-me e desiludi-me, mas acho que isto fará sempre parte de todos os anos. Na verdade, não me posso queixar do ano porque seria muito injusto com tudo o que vejo à volta e com tudo o que tive dentro dele. Tenho 49 anos, todos os sonhos do mundo ainda por realizar, o que só é possível com saúde. Que não nos falte. A saúde e a coragem. Despeço-me deste ano com a noção de que passou muito rápido. Não sei se foi só uma impressão minha. Que tenhamos um grande 2023, onde cada um de nós tenha a noção clara de que pode tudo ser melhor e mais fácil se cada um de nós estiver disposto a isso. É preciso esvaziar egos, sentir empatia, deixar o orgulho e lado e respeitar sem brincar com a emoção do lado. Se conseguíssemos isso, já teríamos um ano fixe.

 

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