… Desabafo

Por
… Apesar dos sorrisos e das gargalhadas familiares, este foi, querido blog, um dos meus Natais mais tristes. Uma dor profunda que teimou em permanecer o tempo todo foi causadora de me obrigar a engolir lágrimas para simular em alegre contentamento o que os outros esperaram de mim. Foi, dos últimos tempos o Natal que levei em frente com a maior desilusão da minha vida. Foi triste, soube-me a ingratidão e a injustiça. O meu Natal não tem que ser diferente do dos outros, eu não tenho que me queixar, mas permite-me, querido blog, usar-te para desabafar. Agora aqui, a escrever-te, consigo respirar fundo, tentar encontrar uma força além da força que vejo ter. Tento esquecer o resto e fixar os sorrisos e as gargalhadas que oiço ao longe no barulho da criançada que se mistura com o rasgar colorido dos papeis. É o que me resta… não quero sequer abrir a gaveta. Está fechada, vai ficar assim muito tempo. É doloroso abri-la, é preferível fingir que estou enganado, embora saiba que não estou. E estas coisas, não escolhem datas, não se compadecem com quadras festivas nem com estados de alma. Chamem-se gostos, desgostos, egoísmo ou ingratidão… chamem-lhe o que quiserem, que a mim faltam-me as forças para pensar chamar-lhe alguma coisa, para lá de injustiça!
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