… Do tempo dos sonhos!

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… Do tempo em que passava o verão em Villa Nova de Milfontes, levava um rolo com 24 fotografias e esperava ansioso pela sua revelação. Do tempo em que não tinha telemóvel. Usava o fax, o telefone fixo e acho que um bip. Do tempo em que não tinha carro. Fazia o caminho de autocarro. Do tempo em que ia com lanche para a praia para aproveitar o máximo de tempo e poupar dinheiro. Levava sandes de queijo, de atum com tomate, queijadas e bolos de arroz. Comprava sempre fruta na mercearia. E levava água que metia de véspera no frigorífico. Do tempo em que não comia bolas de Berlim todas as tardes na praia porque preferia guardar o dinheiro para o lanche. Quando voltava queimado do sol, com o corpo a arder e cheio de areia, ao fim da tarde comia dois croissants mistos com manteiga e um leite com chocolate na Mabi. Depois chegava a casa, tomava banho, vestia uma roupa fresca, metia uma camisola nas costas, que Vila Nova é ventosa à noite, e ia dar um passeio. Do tempo onde sonhava ter lá uma casa. Olhava para as casas e pensava qual seria a minha. Desejava ter dinheiro para voltar sempre. No tempo de agora ainda pensei comprar uma que me obrigasse a voltar sempre lá. Desisti! Este tempo não traz o outro. Esta fotografia é do do tempo em que não valorizava o que tinha porque achava que não teria tempo à frente com espaço para o que queria. Era sôfrego. Afinal tinha muito. Naquele tempo havia tempo. Eu estava em 1998. Tinha 25 anos. Do tempo dos sonhos

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