… O espaço de cada um!

Por

… Tinha de escrever. Não me sai uma linha frente ao computador. Lembro-me de uma coisa que fiz por estes dias. Fiz porque acho que nos dias que correm, devemos todos parar uns momentos e reflectir sobre como dedicamos o nosso tempo a quem nos rodeia. Um amigo, um colega, um conhecido… todos têm funções diferentes, mas importantes, na nossa vida. E reservo a todos o espaço. Eu não tenho muita gente à minha volta. Não gosto disso, por isso escolho com rigor os que entram no dia a dia e os que se mantêm por mais tempo. Há dias perguntavam-me se tinha muitos afectos. Tenho alguns. Tenho afeto a pessoas que não mo têm – julgo que acontece com toda a gente – e serão “minhas pessoas” até eu entender que merecem. Tenho afetos recíprocos, e tenho a vontade de ir descobrindo um ou outro afecto que me surpreenda. ‘Mas não é fácil chegar a ti!’, pensei para mim, o outro dia, depois de ter enviado uma sms a uma pessoa de que gosto muito, apesar de não conseguirmos quebrar a barreira de enfrentar os olhos um do outro, parei um pouco para reflectir e entender a razão… De facto, chegar de verdade, não é! Eu sou fechado, estranho, muito diferente do que se imagina e quase sempre enfiado num canto que é a minha zona de conforto. Ao longo do dia, há muita gente, muito foco, muita energia… preciso de sair da bolha (ou meter-me nela) para me reerguer a cada manhã. Não sou fácil. Acordo em silêncio, não gosto de falar cedo, preciso de muito espaço e custa-me ouvir vozes a falar alto. Não gosto do som da televisão em casa. Não ligo o rádio do carro. Não gosto de discotecas com música aos gritos. Não gosto de restaurantes com música alta, não gosto de parais cheias de gente. Isto fazde mim uma pessoa estranha? Talvez faça, mas talvez revele também uma pessoa que definiu bem que a energia absorvida deve ser a boa. A outra teremos de fingir que não existe, não lhe dando importância. Não sei se é mau ser assim, mas sei que as pessoas se afastam, têm medo, porque estão acostumadas a ver um Cláudio com cor que se apresenta alinhado com aquilo que querem ver. Não saberiam lidar com a ausência desse alinhamento nem com a frieza de querer apenas a minha sala, amigos à volta e conversas sobre trivialidades ou divagações, horas a fio, sobre a possibilidade de viver sem telemóvel nos dias de hoje, do bom que é ver novelas que passaram há vinte anos na televisão ou ganhar tempo com a parvoíce de traduzir letras de canções populares e dizê-las como quem diz poesia. Eu acho que este Cláudio não se conhece nem há interesse em conhecer. É sossegado. O sossego desalinha o conforto de quem faz juízos de valor. E eu sou avaliado há muito tempo com a batuta feia do rótulo gratuito. Talvez por isso prefira viver numa bolha só minha, em lugares só meus, com manias só minhas, a dar muitas vezes o benefício da dúvida a alguém que se aproxima para sentir o barulho de um Cláudio que só existe na cabeça de quem o vê assim. Quase sempre, quem apenas “olha” sem vontade de ver perde a capacidade de ler para lá das letras gordas. Não gosto disso!

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