CLÁUDIO AJUDA-ME

… Acreditemos. Vai ficar tudo bem!

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… A quarentena, o isolamento social e o que nos está a acontecer deixa-nos de repente tempo. Tempo para ter tempo. Tempo para fazer o que nos queixávamos horas seguidas que não conseguíamos fazer. Arrumamos a casa, as gavetas, testamos receitas novas (a mim nenhuma funcionou), vemos as séries pedentes, acabamos os livros, arrumamos armários, aspiramos, limpamos os vidros das janelas, voltamos a arrumar o que já tínhamos arrumado e inventamos trinta por uma linha para termos coisas para fazer, como se não nos fosse permitido nesta situação apenas estar e ficar. Estar sentado em casa a ver o que acontece, ficar sentado no sofá só porque sim… Na urgência de provar que ocupamos o tempo livre, parece que nos esquecemos que nos podemos aborrecer de não fazer nada. Não é proibido que isso aconteça! Este tempo, que deve ser aproveitado para fazer uma especie dereset da nossa vida corre o risco se se tornar igualmente stressante porque começamos a inventar coisas para estar ocupados como estávamos antes. Não é possível. Estamos fechados dentro de casa, façamos o que é possível fazer sem culpas. Já nos basta o medo de não saber até quando aqui estamos. Eu tenho feito o que posso para criar rotinas diárias. A mim, pessoalmente não me custa ficar em casa. Acordo cedo, se der apanho sol na varanda ou na janela, treino, já não arrumo armários nem gavetas que já está tudo arrumado e trabalho religiosamente como se estivesse fora de casa. Respondo à agenda o que é permitido responder com as tecnologias que a modernidade nos meteu à disposição… fica sempre a sensação de que faltam coisas para fazer, que era preciso ir ali ou fazer mais qualquer coisa só para provarmos a nós próprios que ocupamos o tempo. Calma! Nem as crianças precisam estar ocupadas as 24 horas nem nós temos como o fazer… Não é fácil passar por isto, mas também não vai ser um bicho de sete cabeças. Eu acredito que tudo tem uma razão, por isso em algum tempo livre que temos é bom que seja aproveitado para pensar o que andamos cá a fazer, o que é importante na vida e no tempo que dedicamos a cada coisa ou pessoa quando temos tempo para o fazer,e não o fazíamos. Trabalhar em casa para mim é aborrecido porque eu gosto de estar no terreno, cozinhar para mim é um horror que não o sei fazer, arrumar gavetas e armários é terapêutico mas chega a um ponto em que não faz sentido, aspirar é uma seca, limpar o pó é irritante que nunca está limpo, apanhar sol na varanda ou na janela não é o mesmo que apanhar sol numa esplanada… sabemos todos isto, mas vamos acreditar que sairemos melhores pessoas deste momento que o Universo nos ofereceu como aperitivo para darmos conta que andamos vezes demais a reclamar com o mundo sem razão nenhuma, Ele agora chegou-se à frente e chamou-nos a atenção. Um puxão de orelhas que devemos levar como uma especie de acerto de contas. Quando isto passar, façamos de conta que estamos quites uns com os outros e comecemos de novo. Mais solidários, mais próximos mas conscientes, mais humildes, menos empinados, menos arrogantes, menos certos que somos os maiores, mais dispostos a acreditar, a amar, a ter esperança… Vamos ocupar o muito tempo que temos pela frente quando isto passar para meter no lugar certo as prioridades da vida que, aqui para nós, andavam na maioria muito alteradas. Tenhamos calma, vai ficar tudo bem

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