CLÁUDIO AJUDA-ME

… Disfarçar as emoções não vale a pena (Ou estou errado?)

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… Não sou actor, mas gostava de ser. Gostava de ter dentro de mim a capacidade de disfarçar. Não tenho. Tenho a vontade que um actor tem, mas não tenho a capacidade de conseguir. De vez em quando dava jeito, porque esconder as emoções não é uma coisa fácil. Naquilo que eu me perco da vida, se antes as pessoas ou me amavam ou odiavam, com o tempo fui recebendo, uma espécie de ‘beneplácito’ das pessoas. Talvez seja o reconhecimento de me mostrar, tal como sou… Mas este ‘tal como sou‘ tem sempre por trás um sorriso que esconde outras coisas e, às vezes, outras coisas são muitas. Eu não sei disfarçar emoções na minha intimidade. Posso ser mal interpretado, julgado, analisado e perder muito com isso, mas eu sou assim. Até hoje não percebi se isso é bom ou mau, porque parto sempre do principio que qualquer relação que se queira no nosso núcleo mais duro tem que ser baseada numa verdade absoluta, mesmo que isso nos faça pagar uma factura, ainda que deixando – porque a isso temos direito – uma caixa com coisas nossas. Todos temos uma. Acredito que usando as meias verdades, ou a tal emoção que os actores usam na representação para disfarçar o que sentem ou vivem, a coisa fosse mais fácil. Mentia-se hoje, disfarçava-se amanhã, daqui a tempos brincava-se com uma meia-verdade. Comigo não funciona assim. Eu não consigo. Depois posso arrepender-me, bater com a cabeça nas paredes e pensar: ‘Cláudio, mais valia estares calado. Ganhavas muito mais!’. Mas eu não sou capaz  e, ao mesmo tempo, também acho que as pessoas não sabem lidar com a verdade. O mundo está tão sujo que nos acostumamos à mentira. Acreditamos há tempo demais que uma ‘meia verdade’ pode passar como verdade absoluta ou que uma mentira se pode desculpar, porque facilita a vida a toda a gente. Se eu digo meias-verdades? Digo! Se minto? Também. Se o faço naquelas que considero as minhas mais estreitas e importantes relações? Não! Se perco com isso. Sempre! Ainda assim, gostava muito que todos pensássemos que a verdade é sempre o melhor caminho. Mais difícil e doloroso seguramente, por falta de costume, mas melhor.

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