… Fui ver e foi, Bem Bom!

Por

… Óbvio que é uma obra de ficção baseada em factos reais, mas fiquei ainda com mais vontade e a ver quando a Helena Coelho, uma das Doce originais me disse ‘Cláudio, o filme está impecável. Revi-me em tudo!’. Resumido, fui com a expectativa alta. A PatrÍcia Sequeira, realizadora, já me acostumou a uma linguagem muito objectiva e limpa. Sem rodeios. Mostra o que é o preciso mostrar embrulhado na sua lente. Gostei logo da forma como começa e depois gostei muito de perceber – talvez tenha sido de forma involuntária – mas o filme faz também uma bonita homenagem ao Zé Carlos, um dos maiores estilistas que este País conheceu e que muitos parecem ter esquecido e outros não conheceram… O Zé Carlos, amigo de Laura Diogo, foi o responsável por todo o guarda roupa da banda e sabemos que o visual ajudou bastante a que o triunfo chegasse como chegou. Nuno Nolasco actor que faz o seu papel está magnífico. Juro que por momentos na forma de falar reconheci o criador. Acho isto uma homenagem bonita. Voltemos às Doce que são elas as protagonistas. As originais e as de hoje. Às originais é preciso agradecer porque sem se darem conta, como conta o filme, estavam a mudar mentalidades. É preciso agradecer fazerem parte da nossa história e ajudarem a colorir um mundo cinzento num País que via tudo a preto e branco. Eu sou geração Doce, porque tenho 47 anos e vivi de perto o fenómeno, que consumia e percebi sempre que não era uma banda qualquer. Que dificilmente se faria outra igual, mesmo que se tenha tentado várias vezes… Acredito que a Laura, a Teresa, a Fá e a Helena estão orgulhosas do que fizeram e contentes com este filme, porque na verdade fazem-lhes em vida a homenagem que nunca tiveram, sendo até muitas vezes esquecidas e escondias por muitos que se acharam intelectualmente superiores nos dias que correm tentando abafar quem eram e o que faziam. To-zé Brito, o mentor está vaidoso. Confessou-me o orgulho que sente nesta obra e com razão. Falar agora das Doce de hoje. Bárbara, Marta, Carolina e lia. Seguramente um casting difícil de fazer mas que encaixa naquilo que temos na memória da banda. Estão de parabéns, porque sem imitarem e criando a personalidade de cada uma passaram aquilo que era suposto sem exagero, sem cópia e com rasgos de profunda criatividade nos jeitos que, se forem vistos com atenção, fazem a diferença. A obra serve também para desmistificar de uma vez por todas o nojento boato que quase acabou com a banda sobre Laura Diogo. Fica bem patente o que aconteceu, como aconteceu e como a protagonista se sentiu. É um filme que vale a pena ver, pela história, pelas interpretações, pela imagem, pelo recuar no tempo, pelas músicas, pelo guarda roupa – parabéns, está estupendo – e claro, porque se está a reconhecer em vida uma ideia que rasgou com preconceitos e acabou precocemente. Não se sabe até hoje porque a banda chegou ao fim de repente. Ágata, que a seu tempo esteve nas Doce garante que acabou porque ela não apareceu num concerto de fim de ano. Ágata não entra no filme, não é mencionada, não faz parte. Muita gente questiona a razão, a mim parece-me evidente: o filme vai até ao célebre Bem-Bom de 1982 e a cantora entrou em 1985. Nada tira o mérito nem o crédito a este trabalho que é preciso ir ver ao cinema, porque é raro que se façam mostras destas ainda com os artistas em vida. Parabéns Patrícia. Mesmo!

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