… A verdade de Tony e a Master Classe do Manel!

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Eu, que não passei sequer perto de uma dor semelhante à que passa neste momento o Tony e a Fernanda – claro, milhares de pessoas, mas hoje escrevo sobre os Carreira – penso que não deve existir tristeza maior do que aquela que deixa um filho quando parte. Não existem palavras nem escritos que possam atenuar a dor, mas existe gratidão. Aquela que senti quando vi Tony conversar com Goucha. Talvez fosse a conversa mais esperada nos últimos meses porque todos os que de alguma forma admiramos, seguimos ou somos próximos da família tínhamos em nós a vontade de perceber como estão, porque talvez tivéssemos a ilusão que saber ao escutar falar nos sossegaria a alma depois de percebermos como estão e o que sentem. Foi uma conversa serena. Goucha, na minha opinião não deixou nada por perguntar naquele momento e não perguntou nada que fosse invasão. Emocionou-se e foi vagaroso na conversa talvez com o propósito de não atropelar o raciocínio e deixar espaço para que as palavras tivessem o sentido que queriam ter ao serem ditas. Goucha escutou. Ouviu e manteve-se sempre na linha daquilo que eu considero, enquanto espectador, a perfeição do entrevistado e o seu papel nesta conversa com Tony. Um Tony desfeito e não se esperava menos. Um Tony que falou de tudo no seu tempo não deixou nada por dizer do que lhe foi perguntado. Acima de tudo vi um pai esperançoso que algum dia, alguma coisa fará sentido para que esta tragédia se tenha abatido sobre a família. Assumiu-se melhor pessoa e empenhado a fazer felizes pessoas que vejam na Associação da filha a oportunidade de voar. Foi arrepiante escutá-lo. chorei. Tive momentos de aperto ao imaginar o que sentia. Eu, há muitos anos que gosto deles e tenho razões de sobra para isso. Eu, como quase dois milhões de portugueses na noite da conversa sentimos empatia. É natural do ser humano, mais natural ainda se estivermos a falar de boa gente. Os Carreira são boa gente. Ao Manel agradecer enquanto espectador. De repente, não estou a ver ninguém que conseguisse fazer aquela entrevista daquela maneira. No tom certo. Pode gostar-se mais ou menos dele, mas não se pode sequer questionar que é o melhor em Portugal. Sempre o disse e mantenho. Mantenho que o que faz de Goucha muito bom não é a cultura que tem e todos elogiam, não são os fatos estridentes e bem cortados. O que faz de Goucha o melhor é a capacidade de elevar qualquer conversa seja com quem for e sobre que tema for, percebendo sempre a altura de parar antes que se torne feio e avançando sempre para que em casa o espectador não diga ‘vai por aí’. A vida toda o vi como referência e assumindo que não quero ser um Goucha porque tenho um registo oposto, declaro que se um terço desde meu registo fosse captado do muito que o vi trabalhar sentir-me-ia satisfeito porque um dia poderei dizer que aprendi com ele. É prazeroso perceber que ambos amamos com intensidade a energia de um cenário de televisão e que temos a capacidade de nos reinventarmos as vezes que forem precisas. A conversa com Tony foi uma master classe para quem faz disto vida e para quem muitas vezes corre o risco de, erradamente, pensar que o protagonista é quem entrevista e não quem generosamente se senta para contar a sua história.

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