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… O amor (O que precisamos é de amor)

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… O novo programa da SIC, ‘Casados à primeira vista’, despertou-me a atenção para uma realidade que vivemos cada vez mais e muitas vezes sem nos darmos conta. Estamos sozinhos! Mesmo que rodeados de gente por todos os lados a fazer barulho, estamos reduzidos a um teclado, que de vez em quando nos colmata as falhas e deixa o vazio quando acaba a bateria. Isto é uma verdade absoluta que se transformou, a pouco e pouco, na maior mentira de todos os tempos no que toca a relações. Estamos preguiçosos, temos medo de estar, tentar, arriscar e, quando chega a altura de tentar, não arriscamos porque o medo se mantém. Estamos acomodados, porque as pessoas, com o avançar do tempo e da tecnologia, consideraram que as relações como sempre as entendemos estariam gastas e são descartáveis. Eu não concordo com isso. O que todos queremos é o amor, mas por trás da tal comodidade que  nos estampa a realidade e decepcionados com casos que vivemos, ficamos quietos à espera que alguém nos apareça e transforme a nossa forma de ver a relação e viver o amor, mesmo que se diga que o que queremos é estar sozinhos, que somos hiper independentes, que emocionalmente estamos resolvidos… É mentira! Todos queremos. É o que queremos. Falava o outro dia sobre isto com uma amiga que está sozinha mas que gostava de não estar. Dizia-me ela ‘Podia ter-me inscrito no programa’. Claro que sim! Que se poderia ter inscrito. Diga o mundo o que disser, digam as pessoas o que disserem, todos querem uma relação. E para que serve uma relação? Serve para nos completarmos, para nos sentirmos à vontade com a outra pessoa, para ser prazerosa. Concordar e discordar! Descobrir caminhos novos. Aprender. Reinventar. Uma relação tem de servir para ir ao cinema, viajar ou para simplesmente ficar em silêncio, sem que nenhum se incomode com isso, ainda que sentados lado a lado. Tem que servir para estimular, para que ambos se ampararem em inquietações que tiram o sono, confiar e acima de tudo divertir. Na relação tem de apetecer fazer sexo sem culpas quando não apetece fazer ‘amor’ e nos dias que não apetecer fazer, nem uma coisa nem outra, dormir logo depois do jantar. Porque amor e sexo por si só não são a mesma coisa. O sexo é uma coisa carnal, suada, muitas vezes tensa e apressada. Antes de os músculos se relaxarem, o sexo deixa-os tensos, exibidos. O amor não nos deve deixar tensos, mas devemos exibi-lo. Seguro, certo, acompanhado, confidente. O amor poderia ser a almofada onde descansamos a nossa alma, o sexo os lençóis amachucados dos corpos cansados. O sexo é bom. É bom sempre quando se faz por querer com quem se quer. É melhor se o fizermos apaixonados, e melhor ainda se amarmos a pessoa com quem o estamos a fazer. O amor é muito mais que a troca dos corpos suados, quentes e acelerados. É  um encaixe procurado com batimentos cardíacos descompassados depois de um orgasmo. O amor é sereno. Serve para nos abrigar da chuva, aquecer os pés, dividir uma gargalhada, dividir alegrias, brigar. O amor ‘briga’ muito e por vezes briga em excesso. Mas vence sempre, porque o amor sabe o seu lugar numa relação de verdade. Uma relação de verdade tem de servir para cobrir as dores um do outro quando for preciso, como quem cobre o outro quando o cobertor desliza durante a noite para que não arrefeça. Tem de servir para se abrir uma garrafa de vinho, mas acima de tudo para se abrir o jogo. É importante que os dois se abram ao mundo, conscientes de que o mundo não se resume apenas aos dois, mas que os dois são o mundo de um e outro. Uma relação é uma palavra com sete letras que, de forma disciplinada e respeitada, significa felicidade, que tem dez letras mas que encaixa na perfeição. Basta querer… Se o encontrou, valorize-o!

 

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